COP 11

Jornalistas denunciam cerceamento de liberdade de imprensa na COP do Tabaco

Seleção teria sido arbitrária e discriminatória, comprometendo a liberdade de imprensa em evento financiado com recurso público

Jornalistas brasileiros denunciaram, em Genebra, na Suíça, o impedimento ao credenciamento de cinco veículos de comunicação durante a 11ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP 11). O grupo afirma que o processo ocorreu sem justificativa e violou princípios de transparência, igualdade de tratamento e liberdade de imprensa.

Jornalistas denunciam cerceamento de liberdade de imprensa na COP do Tabaco. Foto: Canva/Ilustrativa.
Jornalistas denunciam cerceamento de liberdade de imprensa na COP do Tabaco. Foto: Canva/Ilustrativa.

Arauto, Olá Jornal, Gazeta, Folha do Mate e Rádio Acústica FM assinam a nota.

Negativas de credenciamento sem explicação clara

Os profissionais afirmam que enviaram toda a documentação solicitada dentro do prazo e seguiram os protocolos oficiais da conferência. Apesar disso, cinco veículos não tiveram o credenciamento aprovado, enquanto outros representantes foram liberados.

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Segundo a nota divulgada, a seleção teria sido arbitrária e discriminatória, comprometendo o direito constitucional de acesso à informação.

A conferência, que recebe recursos do Governo Federal brasileiro estimados em cerca de R$ 1,5 milhão, trata de políticas públicas de impacto econômico, social e sanitário. Para os jornalistas, o bloqueio ao trabalho da imprensa impede a fiscalização adequada de decisões que afetam diretamente o interesse público.

Cobertura comprometida em evento de relevância global

Os profissionais apontam que a medida configura censura indireta, reduzindo a pluralidade de vozes em um fórum internacional responsável por discutir temas como:

  • controle do tabagismo;
  • impactos ambientais dos derivados do tabaco;
  • medidas regulatórias propostas pelos países-membros;
  • diretrizes de prevenção, fiscalização e tributação no setor.

A COP 11 ocorre de 17 a 22 de novembro, em Genebra.

Brasil leva propostas sobre impacto ambiental do tabaco

Paralelamente à denúncia, uma minuta da delegação brasileira indica que o país pretende defender que os membros da COP avaliem:

  • proibir filtros de cigarro;
  • combater práticas de greenwashing na indústria;
  • incentivar estudos sobre danos ambientais de bitucas e cigarros eletrônicos;
  • discutir eventuais mecanismos de reparação financeira por parte do setor.

Representantes de indústrias, lideranças políticas e trabalhadores da cadeia produtiva contestam essas medidas. Eles afirmam que as propostas podem elevar custos, reduzir competitividade, estimular o contrabando e afetar empregos, sem garantir queda no número de fumantes.

Mercado ilegal avança e preocupa autoridades

Estudo publicado em 3 de novembro pela FGV Conhecimento em parceria com a Abifumo apontou que o mercado ilegal de cigarros movimenta 33,7 bilhões de unidades por ano, o equivalente a 32% das vendas nacionais. A evasão fiscal estimada é de R$ 7,2 bilhões no último ano.

Segundo o levantamento,

  • 24% dos cigarros ilegais vêm do Paraguai;
  • 8% são fabricados por empresas brasileiras que operam fora das normas da Anvisa ou sem o devido recolhimento tributário.

O estudo afirma que a combinação entre alta carga tributária, regulação considerada excessiva, fronteiras frágeis e demanda constante cria terreno favorável para o contrabando, fortalecendo organizações criminosas.

Jornalistas pedem intervenção de órgãos reguladores

Na nota oficial, os profissionais solicitam que instituições brasileiras:

  1. Intercedam junto aos organizadores da COP 11 para restabelecer o acesso dos veículos barrados;
  2. Acompanhem formalmente o caso para verificar violações às normas internacionais de liberdade de imprensa;
  3. Adotem ações para evitar que situações semelhantes se repitam em eventos multilaterais.

A gerência brasileira no evento é articulada pela Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro sobre Controle do Uso do Tabaco (Conicq), ligada ao Ministério da Saúde.

Em nota, a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão demonstrou preocupação com o episódio.

Leia a nota da AGERT:

A Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert) manifesta preocupação diante do episódio ocorrido durante o processo de credenciamento para a cobertura da COP11, em Genebra, onde profissionais de imprensa brasileiros tiveram sua atuação impedida sem justificativa clara.

Restringir o acesso de veículos regularmente credenciados fere princípios fundamentais da liberdade de imprensa, da transparência e do direito da sociedade à informação, pilares essenciais da democracia.

A AGERT reforça seu apoio aos profissionais e veículos atingidos e solicita que as autoridades competentes acompanhem o caso e atuem para garantir que situações como esta não se repitam. A informação livre e plural é um direito, não uma concessão.

Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão – AGERT

Tabaco no Brasil: dados da safra 2024/25

O Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo, atrás da China. A Região Sul é o principal polo da atividade no país.

Indicadores atualizados

  • 525 municípios produtores
  • 138 mil produtores rurais
  • 44 mil empregos diretos na indústria
  • 533 mil pessoas envolvidas no meio rural
  • 310 mil hectares plantados
  • 720 mil toneladas produzidas
  • R$ 14,6 bilhões em receita para os produtores
  • 447 mil toneladas exportadas em 2024
  • R$ 18,8 bilhões em impostos arrecadados (2024)
  • US$ 2,89 bilhões em divisas com exportações (2024)

A cobertura da Rádio Acústica FM na COP 11 conta com apoio de Osirnet, Afubra e Sicoob.