Segurança

Justiça concede 37 mil medidas protetivas no RS no primeiro semestre

Nos primeiros meses deste ano, 36 feminicídios foram notificados no RS, além de outras 134 tentativas

Um levantamento divulgado pelo Tribunal de Justiça (TJ-RS) aponta que, somente no primeiro semestre deste ano, mais de 37,4 mil medidas protetivas foram concedidas pelo Judiciário gaúcho, de acordo com a base de dados do Conselho Nacional de Justiça.
Em 2024, cerca de 68 mil medidas protetivas de urgência (MPUs) foram registradas.

Justiça concede 37 mil medidas protetivas no Rio Grande do Sul

Conforme o TJ, os números expressivos condizem com a realidade preocupante do Brasil, que também se reflete no cenário estadual.

Nos primeiros meses deste ano, 36 feminicídios foram notificados no RS, além de outras 134 tentativas.

A medida protetiva é reconhecida por salvar vidas, o que também se reflete nas estatísticas: em 2024, por exemplo, quando houve o registro de 72 feminicídios no Estado, quase 90% das vítimas não tinham medidas vigentes na data do crime, de acordo com a Polícia Civil.

RS lidera ranking nacional de feminicídios com medida protetiva de urgência ativa

Mesmo com o grande  de concessões de MPUs, dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 mostram que o Rio Grande do Sul lidera o ranking de feminicídio com medidas protetivas de urgência ativas no país Das 52 brasileiras mortas contando com medida protetiva de urgência em 2024, 14 moravam no estado – 27% do total. Em 2023, dos 69 feminicídios ocorridos com a proteção ativa, 22 foram no RS – 32%.

O Rio Grande do Sul também é o estado com a maior taxa de descumprimentos de medidas protetivas de urgência em geral para evitar violências contra mulheres, com 106 descumprimentos por 100 mil habitantes em 2024 e 101 desrespeitos em 2023.


Serviço: quem pode solicitar medidas protetivas?

O que são medidas protetivas?
Concedidas por um juiz ou juíza, têm o objetivo principal de afastar o agressor da vítima para evitar a continuidade ou o agravamento da violência.

Quem pode solicitar?
Qualquer mulher que esteja vivendo uma situação de violência doméstica e familiar, mesmo sem advogado ou registro de ocorrência na polícia.

Preciso ir até a delegacia?
Não necessariamente. Desde abril, as medidas protetivas podem ser solicitadas de forma online, no site da Delegacia Online da Mulher do Rio Grande do Sul. Também é possível pedir a proteção pessoalmente em qualquer delegacia de polícia.

Quando posso solicitar?
24 horas por dia, nos sete dias da semana. O Poder Judiciário atua em regime de plantão em todas as comarcas, por isso o pedido pode ser apresentado imediatamente.

Demora muito para ser analisada e concedida?
A autoridade policial tem até 48 horas para encaminhar o pedido à Justiça. O Judiciário também deve decidir em até 48 horas. Segundo a Polícia, o serviço tem prioridade de atendimento e muitas solicitações feitas pela internet são deferidas em poucas horas.

Com a proteção, quais são as medidas contra o agressor?
O Judiciário pode aplicar, de imediato, algumas medidas em conjunto ou separadamente, como: afastamento do lar, domicílio ou local de convivência; suspensão da posse ou restrição do porte de armas; restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores; proibição de contato com a vítima, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; proibição de frequentar determinados lugares para preservar a integridade da vítima; entre outras.

Há ações em benefício da mulher?
Sim. Entre elas estão: encaminhamento da vítima e de seus dependentes a programas de proteção; garantia do retorno da vítima e de seus filhos ao lar abandonado em razão da agressão sofrida; afastamento da vítima do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos; proibição temporária de o agressor alugar ou vender imóvel comum ao casal; suspensão da validade de procurações que a vítima tenha dado ao agressor; entre outras.

O que fazer quando o agressor descumpre a medida protetiva?
Descumprir medida protetiva é crime, com pena de 3 meses a 2 anos de prisão. O descumprimento deve ser comunicado pela mulher, seja pessoalmente à polícia, seja de forma virtual no site da Delegacia Online da Mulher.

Como pedir ajuda?
Em situações de emergência, ligue imediatamente para a Brigada Militar, pelo número 190.
A Central de Atendimento à Mulher, no Disque 180, presta atendimento diário e ininterrupto em qualquer lugar do Brasil.
Para assistência jurídica gratuita, contate a Defensoria Pública pelo número 0800-644-5556.


Com informações do Tribunal de Justiça-RS