Em Minas do Leão, na Região Carbonífera, o Rio Grande do Sul dá um passo pioneiro na economia circular com a inauguração da primeira planta de produção de biometano em aterro sanitário. A instalação, transforma cascas de banana, papel higiênico e outros resíduos descartados em gás capaz de gerar energia, servir como combustível e impulsionar indústrias.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!
Camaquã está entre os municípios que destinam seu lixo orgânico até Minas do Leão
O processo inicia-se em 85 municípios, incluindo Camaquã, com a coleta do lixo orgânico, realizada por empresa contratada pela prefeitura. Após a triagem no aterro sanitário local, os resíduos são transportados por carretas até a unidade de Minas do Leão, administrada pela Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR). A planta possui capacidade para produzir o equivalente a 12,5 mil botijões de gás por dia, inserindo-se como peça-chave na estratégia de renovação energética do estado.
Fruto de um investimento de R$ 150 milhões, o projeto deve ser replicado em outras quatro unidades de aterros administradas pela CRVR até 2030. Nessa perspectiva, a conversão de resíduos em biometano pode atender a até 10% da atual demanda por gás natural no Rio Grande do Sul, complementando o fornecimento obtido por meio do gasoduto Brasil-Bolívia.
O biometano obtido a partir do biogás — inicialmente composto por pouco mais da metade de metano e um terço de gás carbônico — passa por um rigoroso processo de depuração que eleva sua composição para além de 90% de metano. Essa qualidade equipara o produto ao gás natural fóssil utilizado no abastecimento de veículos e em diversos processos industriais, demonstrando a viabilidade e sustentabilidade da iniciativa.
O avanço representa não só uma inovação tecnológica, mas também um marco na gestão ambiental, ao oferecer uma alternativa eficiente para o descarte e aproveitamento dos resíduos sólidos gerados em Camaquã e outras cidades gaúchas. Com a perspectiva de ampliar o uso de fontes renováveis no setor energético, a nova planta reafirma o compromisso do estado com a sustentabilidade e a modernização das políticas públicas de resíduos.



