O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira (23) as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos e afirmou que o Brasil “resiste na defesa da democracia”. O discurso foi feito na abertura da 80ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, onde tradicionalmente cabe ao chefe de Estado brasileiro inaugurar os trabalhos.

Segundo Lula, o sistema multilateral enfrenta uma crise marcada pela “desordem internacional” e pela adoção de medidas arbitrárias. Ele citou sanções econômicas, intervenções unilaterais e atentados à soberania como fatores que enfraquecem a democracia.
“O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades”, destacou. “Mesmo sob ataques sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há 40 anos pelo seu povo”, disse Lula, em referência ao período de ditadura militar.
As declarações ocorreram após novas medidas do governo norte-americano, que no dia 22 ampliou as sanções atingindo Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O Itamaraty classificou a decisão como “agressão” e afirmou que o país não aceitará pressões externas.
Medidas dos Estados Unidos
O governo de Donald Trump já havia aplicado tarifas de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA e restringido vistos de ministros do STF, entre eles Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin.
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Em julho, Trump também acionou a Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. A legislação norte-americana prevê punições a estrangeiros acusados de violar direitos humanos, como o bloqueio de bens em território americano.
Encontro entre Lula e Trump
Apesar das críticas, o presidente dos EUA declarou que pretende se reunir com Lula na próxima semana. Em discurso posterior na ONU, Trump disse ter “química excelente” com o líder brasileiro e chamou-o de “homem muito agradável”.
Trump justificou as tarifas impostas como uma defesa da soberania americana e acusou o Brasil de aplicar “tarifas injustas” aos produtos dos Estados Unidos. Segundo ele, o Brasil estaria interferindo na liberdade de cidadãos norte-americanos e de outros países “com censura e repressão”.



