ECONOMIA

Mão de obra envelhece: queda de natalidade ameaça mercado de trabalho

Diretor da FGTAS discute os desafios da empregabilidade no estado e a revisão do programa Bolsa Família

O diretor-presidente da  da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (Sine FGTAS), José Scorsatto abordou temas relevantes  para o futuro do mercado de trabalho no Rio Grande do Sul. Em entrevista, que ocorreu nesta segunda-feira (30), o gestor levantou questões como a influência da queda na natalidade, a necessidade de revisão do Bolsa Família e a importância da valorização dos trabalhadores com mais de 50 anos.

Mão de obra envelhece: queda de natalidade ameaça mercado de trabalho
Mão de obra envelhece: queda de natalidade ameaça mercado de trabalho. Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil

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Scorsatto destacou a inversão da curva de natalidade como um dos principais fatores que afetam a disponibilidade de mão de obra no estado:

“Se pegarmos os anos 70, tínhamos uma pirâmide, com muitas crianças nascendo. Hoje, a natalidade é bem menor”, explicou.

Ele alertou que, segundo dados do IBGE, a partir de 2029 o Rio Grande do Sul terá mais pessoas acima de 65 anos do que abaixo de 14 anos.

Outro ponto abordado foi o programa Bolsa Família. Scorsatto defendeu que o programa é fundamental para garantir o mínimo para a população em situação de vulnerabilidade, mas ressaltou a necessidade de revisá-lo para que ele se torne uma ponte para o mercado de trabalho, e não um muro:

“O Bolsa Família deveria ter gatilhos para que as pessoas possam ir novamente para o mercado de trabalho”, afirmou.

O diretor-presidente da FGTAS também comentou sobre a importância de valorizar os trabalhadores com mais de 50 anos, que muitas vezes enfrentam dificuldades para se recolocar no mercado. Ele citou exemplos de outros países, como a Alemanha, onde é comum encontrar pessoas mais velhas trabalhando em diversas funções. Scorsatto informou que a FGTAS está trabalhando para sensibilizar as empresas sobre a importância de contratar profissionais mais experientes.

Scorsatto também mencionou o crescimento da contratação de imigrantes no Rio Grande do Sul, especialmente nos setores da indústria e de serviços. Ele destacou que muitos empresários têm buscado esses profissionais, principalmente os venezuelanos, devido à sua dedicação e compromisso com o trabalho.

Diante dos desafios apresentados, Scorsatto defendeu a necessidade de modernização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para que ela se adapte às novas realidades do mercado. Ele sugeriu a criação de contratos de trabalho mais flexíveis, que permitam aos trabalhadores conciliar suas necessidades pessoais com as demandas do emprego.

A entrevista com José Scorsatto trouxe à tona importantes reflexões sobre o futuro do mercado de trabalho no Rio Grande do Sul. A queda na natalidade, a necessidade de revisão do Bolsa Família e a valorização dos trabalhadores mais experientes são temas que precisam ser debatidos e enfrentados para garantir um futuro próspero para o estado.

 

Tags: mercado de trabalho