saúde

Médica ginecologista alerta sobre os riscos da autoprescrição de anticoncepcionais

Dra. Sandra Nunes destaca a importância de relatar o uso do medicamento em consultas e adverte que a combinação de hormônios com fatores como hipertensão e diabetes pode ser fatal

O programa Primeira Hora desta segunda-feira (08) recebeu a Dra. Sandra Nunes para debater um tema de extrema importância para a saúde feminina: os riscos ocultos do uso de anticoncepcionais sem acompanhamento médico. A especialista alertou que a facilidade de acesso a esses medicamentos muitas vezes leva as mulheres a ignorarem que se trata de uma substância com contraindicações sérias. Durante a entrevista, a médica reforçou que a pílula é uma excelente ferramenta terapêutica para tratar condições como TPM, excesso de fluxo e cólica, mas enfatizou que ela não é isenta de riscos e sua indicação deve ser individualizada.

Médica ginecologista alerta sobre os riscos da autoprescrição de anticoncepcionais
Foto: Alice Campos

Diálogo no consultório

A Dra. Sandra Nunes destacou que o primeiro ato médico deve ser sempre a anamnese, ou seja, uma entrevista detalhada sobre o histórico de saúde do paciente, algo que tem se perdido na pressa do cotidiano. Um dos grandes problemas identificados pela especialista é que muitas mulheres sequer consideram o contraceptivo um medicamento e, por isso, deixam de relatar seu uso em consultas com outros profissionais. “Eu preciso saber tudo que tu usa… inclusive muitas pacientes não acham que anticoncepcional é remédio e não incluem isso na lista dos medicamentos que utilizam. Daqui a pouco eu vou no cardiologista, mas eu não digo que eu tomo anticoncepcional”, advertiu.

Um caso real de AVC

Para ilustrar a gravidade da situação, a convidada compartilhou o caso clínico real de uma paciente de 45 anos que reunia múltiplos fatores de risco, como hipertensão, diabetes e obesidade, e fazia uso de uma pílula combinada de dois hormônios. Ao notar os riscos durante a consulta, a médica sugeriu a troca imediata do método, momento em que foi surpreendida pela realidade da paciente. “Eu disse assim: ‘Tu tem um alto risco para AVC’, e a paciente me devolve: ‘Mas eu acabei de ter um AVC’ e me mostra a mão parada… Se eu não tivesse feito a pergunta, eu ia liberar ela, ela ia continuar, ela ia ter o outro AVC”, relatou a Dra. Sandra. O caso demonstra como certas condições — como diabetes, obesidade e enxaqueca com aura — tornam o uso de pílulas combinadas extremamente perigoso, exigindo a migração para alternativas como as pílulas de progesterona isolada, que possuem risco praticamente nulo.

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Planejamento familiar 

Por fim, a entrevista abordou os direitos reprodutivos e as opções de planejamento familiar disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), que deve ampliar a oferta de métodos no segundo semestre, incluindo implantes subcutâneos. A Dra. Sandra Nunes defendeu a necessidade de desmistificar procedimentos masculinos para que a responsabilidade da contracepção não recaia inteiramente sobre a mulher. “Tem que incentivar a vasectomia, porque também isso… a gente precisa, fica tudo dependendo da mulher… Eu acho que é planejamento familiar, vamos estar partindo do princípio… mas esse preconceito na cabeça dos caras ainda existe, é grande”, concluiu a médica, lembrando que seu alerta busca resgatar a qualidade do atendimento médico focado na anamnese e no exame físico.

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