Na manhã desta terça-feira (20), o programa Primeira Hora recebeu o presidente da Federarroz Denis Dias Nunes para analisar os desafios enfrentados pelos produtores gaúchos no início da safra agrícola. O convidado explicou que, embora as estatísticas gerais do estado do Rio Grande do Sul indiquem certa estabilidade em razão do adiantamento em regiões como a Fronteira Oeste e Santa Vitória do Palmar, a maioria das bacias produtoras enfrenta um atraso significativo no plantio em virtude do excesso de chuvas e da instabilidade do El Niño. Denis pontuou também que as baixas temperaturas do solo registram um ambiente adverso para a germinação do grão, exigindo atenção dobrada por parte dos agricultores.

Fisiologia da planta, estresse térmico e riscos do corte na proteção de sementes
Ao abordar o impacto do clima no campo, o entrevistado esclareceu que a lavoura de arroz exige um solo com temperaturas superiores a 20 ºC e acúmulo de calor para germinar com vigor, alertando que o frio prolongado induz a planta ao estado de dormência e causa o amarelamento das folhas. Diante da tentativa de alguns produtores em enxugar custos suspendendo o tratamento químico das sementes, Denis desestimulou a prática, ressaltando que fungicidas, inseticidas e reguladores de crescimento são indispensáveis para garantir o suporte biológico ao grão sob estresse ambiental. “Arroz necessita de temperatura de solo de 20º para germinar. Ele na realidade não tem idade, ele tem acúmulo térmico; quanto mais temperatura nós tivermos acima dos 20º, mais rápido ele se desenvolve. Cortar o tratamento de semente é uma economia que sai caro, viu? Porque estas proteções num período de muito estresse são realmente importantes. Eu até aconselharia aos produtores diminuir a quantidade de sementes plantadas ao invés de diminuir a proteção”, advertiu.
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Restrição de crédito agrícola, readequação de área e migração de culturas
Denis apontou a escassez de linhas de financiamento e a demora na liberação de recursos de custeio e renegociações como o principal gargalo financeiro enfrentado pela classe produtora nos últimos anos. Esse cenário de restrição orçamentária vem forçando o setor a redimensionar as áreas de cultivo e, em muitos casos, optar pela migração parcial para o plantio da soja como estratégia para minimizar riscos operacionais. O presidente aconselhou os agricultores da Região Centro-Sul e da Costa Doce a reavaliarem seus planejamentos financeiros antes de expandir o plantio sem garantias bancárias. “A dificuldade de crédito é gigante, é dos piores anos dos últimos tempos. Eu acho que o crédito é o mais impactante, a dificuldade de dinheiro em todos os setores. Pensem bem, reorganizem suas estruturas. Daqui a pouco a diminuição da área não é um problema, ela pode ser uma solução ou menos risco”, ponderou o especialista no ar.
Projeções de exportação no cenário internacional
Denis apresentou um balanço das comercializações no mercado arrozeiro, observando que as cotações do saca atingiram um patamar de estabilidade e que os volumes de importação e exportação do país permanecem em relativo equilíbrio. O convidado ressaltou que a perspectiva de retração na safra dos Estados Unidos pode abrir margem para a retomada das vendas brasileiras ao exterior, a depender do comportamento da taxa de câmbio nas próximas semanas. “Estamos muito próximos e equilibrados entre importação e exportação, pela última informação que tive. Esperamos que, com essa queda da produção americana, nós voltemos para o mercado internacional em seguida”, concluiu o profissional.



