A campanha “Agosto Lilás” reforça anualmente a importância da conscientização sobre a violência doméstica contra a mulher. No entanto, especialistas destacam que o enfrentamento ao problema exige atenção contínua. Para além do abuso físico, manifestações de violência psicológica e institucional mantêm estruturas de opressão cotidianas, tornando a denúncia um passo indispensável para a interrupção de ciclos crônicos de agressão.

O assunto foi tema de uma entrevista na manhã deste sábado (15) com a psicóloga Renata Mainês, durante o programa Esquina Democrática na Rádio Acústica FM.
“Quando tu fala em algo que é mais delicado, as pessoas se calam” disse Renata durante a entrevista.
Violência doméstica exige engajamento da sociedade
A relevância do engajamento coletivo ficou evidente em um caso emblemático registrado em Santa Catarina, em que a mobilização digital resultou na prisão de um homem investigado por crimes cometidos ao longo de três décadas. A exposição pública, iniciada pela própria irmã do agressor em redes sociais, encorajou diversas vítimas a relatarem episódios de abuso e violência sexual, impulsionando a atuação do Ministério Público e do Judiciário.
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A conduta relatada no processo seguia um padrão recorrente: a aproximação por meio de comportamentos manipuladores — conhecidos no meio técnico como love bombing —, seguida por abusos psicológicos e agressões físicas. Apesar de históricos anteriores de registros policiais, a articulação e o fortalecimento mútuo entre as vítimas foram determinantes para viabilizar a responsabilização legal do suspeito.
Profissionais de psicologia e assistência social ressaltam que o ato de denunciar desempenha papel crucial no processo de reparação do trauma relacionado por violência doméstica. Paralelamente, apontam para a necessidade de combater o julgamento social e a culpabilização das vítimas. Diante de relatos ou suspeitas de agressão, a orientação técnica estabelece que o dever de notificação às autoridades competentes deve se sobrepor a julgamentos ou opiniões pessoais, garantindo a proteção da integridade física e emocional dos envolvidos.



