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Mobilização em Porto Alegre defende investimentos da CMPC em Barra do Ribeiro

Ato na Praça da Matriz reúne nesta segunda-feira (15), moradores, prefeitos, vereadores e deputados da Costa Doce em apoio à manutenção dos investimentos

Moradores, trabalhadores, lideranças políticas e representantes de diferentes municípios da região participam, nesta segunda-feira (15), de uma mobilização em defesa da manutenção dos investimentos da CMPC em Barra do Ribeiro. O ato está marcado para as 10h, em frente à Praça da Matriz, no Centro Histórico de Porto Alegre.

Mobilização em Porto Alegre defende investimentos da CMPC em Barra do Ribeiro
Foto: Valério Weege/Acústica FM

Com o tema “Barra do Ribeiro é CMPC”, a manifestação busca demonstrar o apoio da comunidade ao projeto da empresa e destacar a importância dos investimentos para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul. A expectativa é reunir representantes de diversos setores que defendem a continuidade do empreendimento no município da Costa Doce.

A mobilização contará com a participação do governo municipal de Barra do Ribeiro, vereadores, prefeitos da região, deputados estaduais e federais, além de lideranças comunitárias e trabalhadores ligados à cadeia produtiva que poderá ser beneficiada pelos investimentos.

Segundo os organizadores, o objetivo é reforçar a relevância do projeto para a geração de empregos, atração de novos negócios e fortalecimento da economia regional. A iniciativa também pretende chamar a atenção das autoridades estaduais para a necessidade de garantir segurança jurídica e condições favoráveis para a continuidade dos investimentos.

A Prefeitura de Barra do Ribeiro destaca que a instalação e ampliação das operações da CMPC representam uma oportunidade estratégica para o município e para todo o Estado, com potencial de impulsionar o crescimento econômico e ampliar a arrecadação local.

Além da presença de autoridades políticas, a mobilização busca envolver a comunidade regional, demonstrando o apoio popular ao empreendimento. A organização ressalta que a participação da população é fundamental para evidenciar a importância do projeto para o futuro da região.

A concentração ocorrerá em frente à Praça da Matriz, um dos principais espaços de manifestações políticas do Estado. A expectativa é de que o ato reúna representantes de diversos municípios da Costa Doce em uma demonstração de união em torno da pauta.

Os organizadores também colocaram a equipe da Prefeitura de Barra do Ribeiro à disposição para prestar informações adicionais e conceder entrevistas sobre a mobilização e os impactos previstos dos investimentos da CMPC.

Discussões sobre investimento da CMPC na Assembleia do RS

No último dia 03 de junho, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (RS) realizou uma oitiva foi com pesquisadores a respeito da instalação de fábrica da CMPC em Barra do Ribeiro, alertando para riscos ambientais e da saúde da população do entorno do Guaíba. Por falta de quórum, os requerimentos em pauta na Ordem do Dia retornam na próxima semana.

Por solicitação do deputado Adão Pretto Filho, manifestaram-se pesquisadores vinculados ao Comitê Técnico de Análise e Questionamento do EIA-RIMA do Projeto Natureza (CMPC), composto por entidades ambientais e organizações da sociedade civil, para tratar da necessidade de transparência, adoção de critérios rigorosos e garantia de participação social no processo de licenciamento da nova fábrica de celulose prevista para o município de Barra do Ribeiro.

A pesquisadora Catia Machado, que participa do Comitê Técnico de Análise e Questionamento do EIA-RIMA do Projeto Natureza (CMPC) de forma voluntária, ponderou a respeito de aspectos como a instalação de uma nova unidade próxima de outra já existente, “não existe no mundo duas unidades de beneficiamento instaladas no mesmo lugar, desaguando para águas interiores”, alertou. Ela apontou questões relacionadas com a dragagem do Guaíba e problemas para as estações de água, e risco crescente de aumento da poluição das águas, “o Guaíba já está poluído e com mais essa contribuição vai ultrapassar os limites que um corpo hídrico como o Guaíba suporta”, o que poderá comprometer a água para beber, impactando também a pesca. Alertou para elementos cancerígenos e para a previsão de lançamento do elemento fósforo no Guaíba, e recomendou um novo estudo de impacto ambiental com simulações de toxicidade crônica, para verificar a correlação de todos os elementos poluentes e os efeitos sobre todos os organismos.

Também pesquisadora e aposentada da FEPAM, Alda Maria Corrêa, integrante do Comitê, apontou detalhes técnicos que evidenciam a presença de elementos químicos que estão sendo lançados no Guaíba, tanto pela unidade atual da CMPC em Guaíba, quanto pela que será instalada em Barra do Ribeiro, como fósforo e nitrogênio, com impacto na qualidade da água. Disse que há falhas na avaliação do EIA-RIMA, e alertou que vai aumentar a poluição da água do Guaíba, assim como impacto na pesca e em comunidades como indígenas e quilombolas, que residem e sobrevivem do entorno do Guaíba.

Outra abordagem foi de Roberto Lebgott, do Comitê EIA RIMA, que solicitou a oitiva do povo Mbyá-Guarani, que não foi ouvido em todo esse processo, conforme determina a Convenção 169 da OIT, que deve ser observada pelas autoridades. O MPF ingressou em juízo com ação civil pública cobrando do empreendimento econômico e da FEPAM que os povos indígenas sejam adequadamente ouvidos, uma vez que essa comunidade sofrerá os impactos do empreendimento.

Adão Pretto Filho acolheu o pedido de nova audiência pública para tratar do assunto, que esteve em debate na Comissão de Segurança e Serviços Públicos na semana passada. Também as deputadas Luciana Genro (PSOL) e Sofia Cavedon (PT) comentaram a respeito do assunto, e pela realização de nova audiência pública sobre o licenciamento da CMPC.