A edição desta sexta-feira (15) do programa Primeira Hora recebeu Catiane Santos, produtora rural de Chuvisca e idealizadora de uma mobilização que promete marcar a história da fumicultura regional em Camaquã. O movimento, que nasceu de uma iniciativa espontânea na localidade de Passo dos Carros, ganha corpo com o apoio de prefeituras de municípios vizinhos e busca confrontar as atuais práticas das indústrias fumageiras. A manifestação está agendada para as 13h, no Paradouro Grill, às margens da BR-116, onde centenas de famílias rurais são esperadas para protestar quanto ao respeito do trabalho no campo.

Prejuízos no campo
O descontentamento dos agricultores tem uma raiz clara: a queda drástica nos preços e o que classificam como uma avaliação arbitrária da qualidade do tabaco pelas empresas. Segundo os relatos apresentados, as indústrias retomaram sistemas de classificação complexos que facilitam o rebaixamento do produto, transformando o que deveria ser pago como fumo de primeira linha em categorias inferiores. Catiane enfatiza que a categoria não suporta mais as perdas, que podem ultrapassar os R$ 50 mil por produtor: “A gente precisa o maior número de agricultores para mostrar que a gente não tá sozinho. A gente quer uma valorização tanto no nosso serviço quanto no nosso produto. A gente quer que eles paguem o justo”, declarou a produtora.
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Mobilização política
Além de ocupar o acostamento da rodovia em um ato pacífico, o movimento articula ações estratégicas para garantir que o grito do campo chegue às esferas de poder. Está prevista a coleta de um abaixo-assinado que será entregue a deputados, prefeitos e vereadores, buscando uma intercessão legislativa que regule melhor a relação entre indústria e produtor. Como forma de retaliação imediata, muitos agricultores já começaram a segurar o fumo nos galpões e a cancelar pedidos de insumos para a safra seguinte, utilizando o boicote como ferramenta para forçar uma renegociação das tabelas de preços e dos critérios de compra.
União Regional pela sustentabilidade rural
A força do protesto desta sexta-feira (15) reside na união sem precedentes entre os municípios de Camaquã, Cristal, Dom Feliciano e Chuvisca, cujas prefeituras estão disponibilizando transporte para garantir a presença massiva dos fumicultores. A organização reforça que o evento será conduzido de forma pacífica, mas com a firmeza necessária para denunciar o desequilíbrio econômico que ameaça a sustentabilidade da produção local. Para Catiane e os demais líderes, a manifestação é o único caminho para evitar o colapso das propriedades rurais que, hoje, veem o lucro de uma safra inteira ser consumido por custos de produção que já não são cobertos pelos valores repassados pelas fumageiras.




