Enchente

Morador da Ilha Santo Antônio em Camaquã, deixa de dormir para auxiliar os vizinhos

Níveis das águas já estão próximos das enchentes de 2023 e 2024

No final de tarde desta segunda-feira (26), a SulTV entrevistou durante o programa Redação SulTV, dois moradores da zona da várzea em Camaquã, que relataram os efeitos das chuvas intensas dos últimos dias. Os relatos destacaram a velocidade com que o nível do rio Camaquã subiu, atingindo pontos considerados inusitados em enchentes anteriores, e os transtornos decorrentes dos alagamentos na região.

Morador da Ilha Santo Antônio em Camaquã, deixa de dormir para auxiliar os vizinhos
Fotos: Daniel Rodrigues/Rádio Acústica FM

Um dos entrevistados, Daniel Rodrigues, residente na localidade de Pacheca, descreveu a rápida elevação do rio, que atingiu níveis próximos aos registrados em enchentes de 2023 e 2024. Ele destacou que cerca de 90% da Ilha Santo Antônio já está alagada, com moradores deixando suas casas devido à invasão da água. A dificuldade de acesso à ilha, que depende de barcos e, em alguns momentos, de helicópteros, foi ressaltada como uma das principais preocupações.

Rodrigues também apontou a contaminação dos poços de água potável, que ficam dentro das propriedades rurais, e que, com o alagamento, tornam-se inutilizáveis. A mobilização de equipes do município e do estado para fornecer água potável e apoio emergencial foi mencionada, assim como a união dos moradores na vigilância do nível do rio, que monitoram continuamente a situação.

Morador antigo da Ilha Santo Antônio em Camaquã, não dormiu para auxiliar vizinhos

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!

Outro morador, conhecido com Getúlio barqueiro, que vive na Ilha Santo Antônio há quase 60 anos, reforçou a persistência do problema, atribuindo a frequência das enchentes ao assoreamento do rio Camaquã, que acumula bancos de areia. Ele relatou que, na noite anterior, trabalhou na proteção de animais e na tentativa de manter a comunidade segura, enquanto aguardam por ações de desassoreamento e melhorias na infraestrutura de acesso, como a instalação de um heliponto para facilitar remoções em situações críticas.

As entrevistas também abordaram a questão da permanência das famílias na região, que, apesar dos prejuízos recorrentes, permanecem devido a fatores econômicos e históricos. Getúlio explicou que a ligação afetiva e a atividade agrícola sustentam a permanência na ilha, dificultando a relocação.

Autoridades municipais e estaduais estão mobilizadas para atender às demandas emergenciais, incluindo a instalação de um heliponto na ilha, que facilitaria remoções de emergência e o transporte de mantimentos. A necessidade de desassoreamento do rio Camaquã foi apontada como uma medida fundamental para reduzir a frequência e a intensidade das enchentes.

As comunidades da Ilha Santo Antônio, Pacheca, Capororóca, Divisa, Charqueadas e Areal, continuam na manhã desta terça-feira (26), enfrentando dificuldades de acesso, com estradas alagadas e comunidades isoladas.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

Tags: alagamentos, Camaquã, Chuvas fortes, enchentes, Ilha Santo Antonio, Rio Camaqua