Justiça

MPRS investiga fraude envolvendo empresa no repasse de verbas da saúde para 11 prefeituras

Investigação aponta uso de empresa de fachada e documentos falsos em contratos do Programa Rede Bem Cuidar

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou nesta terça-feira (10), a Operação Descuidado II para apurar fraudes em repasses de recursos públicos da saúde. A investigação mira irregularidades no Programa Rede Bem Cuidar, da Secretaria Estadual da Saúde. O prejuízo aos cofres públicos ainda está em apuração.

MPRS investiga fraude envolvendo empresa no repasse de verbas da saúde para 11 prefeituras
MPRS investiga fraude envolvendo empresa no repasse de verbas da saúde para 11 prefeituras. Foto: Divulgação | MPRS

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A ação é conduzida pela Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o MPRS, houve falsificação de documentos para simular o cumprimento de exigências legais e viabilizar pagamentos indevidos.

As apurações começaram em 2025, como desdobramento da Operação Descuidado I. A nova fase aponta o uso de empresa de fachada e de terceiros para manter contratos com o poder público, mesmo após decisão judicial que proibia a contratação. As prefeituras não são investigadas.

Foram cumpridos quatro mandados judiciais. Um deles resultou em prisão preventiva, em Erechim. Houve ainda três mandados de busca pessoal, dois em Erechim e um em Erval Grande, no norte do Estado. Celulares e documentos foram apreendidos.

Os investigados são três empresários. O promotor de Justiça José Eduardo Corsini afirmou que a investigação busca preservar os mecanismos de controle do gasto público na saúde. “É preciso garantir que os recursos cheguem à população”, disse.

Durante a operação, a Justiça determinou medidas cautelares, entre elas a proibição de a empresa investigada contratar com o poder público. A apuração envolve 11 prefeituras: Ronda Alta, Marcelino Ramos, Vitória das Missões, Faxinalzinho, Balneário Pinhal, Nova Esperança do Sul, Três Palmeiras, Morro Reuter, Eugênio de Castro e Bom Princípio, além de outro município ainda sob análise.

Os crimes apurados incluem fraudes em licitações e contratos administrativos, uso de documentos falsos, interposição fraudulenta de pessoas e empresas de fachada, descumprimento de ordem judicial e continuidade delitiva.

Segundo o coordenador estadual do Gaeco/RS, promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, a operação reforça o papel do Ministério Público no combate a fraudes que afetam políticas públicas essenciais.

A Operação Descuidado I foi deflagrada em 18 de junho de 2025. À época, o MPRS investigou um esquema semelhante envolvendo 13 prefeituras, com simulação de serviços para atender exigências do Programa Rede Bem Cuidar e liberar recursos estaduais de forma irregular.

Tags: investigação, MPRS, PREFEITURAS, repasse, Rio Grande do Sul, verbas da saúde