Na manhã desta quarta-feira (26), o programa Primeira Hora abordou a segurança das crianças e adolescentes no ambiente virtual ao receber a analista Ana Solari, da Promotoria de Enfrentamento à Violência Extrema e ECA Digital do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), na Rádio Acústica FM. Durante a entrevista, a especialista alertou para o crescimento acentuado de casos de radicalização, misoginia e apologia ao nazismo entre jovens de 12 a 16 anos impulsionados por algoritmos e redes sociais.

Investigações estaduais, predadores virtuais e a perda de identidade
A dimensão do problema no Estado impressiona pelos números: em 2026, a promotoria especializada já analisou 263 casos de extremismo em 126 municípios gaúchos gerando inclusive cooperação internacional com países como Alemanha, Canadá e Estados Unidos . Ana Solari explicou que a extrema necessidade de pertencimento biológica da adolescência faz com que o jovem sofra uma ruptura de identidade, aderindo cegamente a ideologias de ódio. Além disso, denunciou como jogos eletrônicos populares — inclusive infantis — funcionam como autênticas “savanas com predadores”, onde crianças são induzidas a consumir pornografia infantil ou negociar conteúdos ilícitos em troca de moedas virtuais de games (como Roblox) . Para a especialista, a crueldade e o sofrimento do outro tornaram-se uma perigosa “moeda social” e geradora de engajamento (hype) entre os estudantes.
Linguagem cifrada, apologia a massacres e os guias de prevenção do MPRS
Um dos pontos de maior alerta refere-se às táticas de camuflagem utilizadas por esses grupos mal-intencionados para burlar a moderação das plataformas digitais, incluindo o uso de gírias, emojis e símbolos cifrados. A analista citou o exemplo de expressões cotidianas e termos aparentemente inofensivos em inglês que mascaram materiais criminosos de exploração infantil nas redes. Outro agravante é a produção dos chamados edits — vídeos curtos com edições de áudio e trechos de massacres escolares — que romantizam e glorificam atiradores. Diante desse cenário complexo, o Ministério Público gaúcho disponibiliza guias práticos e glossários pedagógicos para auxiliar famílias e educadores na identificação antecipada dos primeiros sinais de desumanização e isolamento do estudante.
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Retirada de eletrônicos durante a noite
Ana Solari defendeu a urgência de uma supervisão parental ativa sobre tudo o que é consumido pelos filhos no ambiente digital . A especialista reforçou que a responsabilidade primária pela proteção dos jovens pertence aos próprios pais ou tutores legais que lhes concedem o acesso aos dispositivos conectados . A analista foi categórica ao orientar a remoção completa de celulares, videogames, notebooks e aparelhos de televisão dos quartos de crianças e adolescentes ao final da noite, evitando a navegação desacompanhada nas madrugadas e impedindo que discursos de ódio virtuais progridam para tragédias reais.




