O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) cumpriu três mandados de busca e apreensão em Pelotas nesta segunda-feira (20). A ação, batizada de Operação Hibernação, busca desarticular o esquema de lavagem de capitais de uma organização criminosa que controla o tráfico de drogas na região Sul. Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) focaram a ofensiva na ocultação de patrimônio por meio da compra de imóveis de luxo com recursos ilícitos.

Apartamento avaliado em R$ 500 mil
As buscas ocorreram em um apartamento avaliado em R$ 500 mil, na casa de uma servidora pública estadual e na sede de uma construtora. Segundo as investigações, o imóvel teria sido adquirido ainda na planta para beneficiar familiares de um dos chefes do grupo, utilizando o nome da servidora para dissimular a transação. O promotor Rogério Meirelles Caldas, coordenador do GAECO, explicou que recibos apreendidos em fases anteriores confirmaram a manobra financeira para limpar o dinheiro do crime.
Detento acumula 20 anos de reclusão
O alvo central é um detento com histórico criminal extenso, que acumula seis condenações por homicídio qualificado, tráfico e porte de arma. Ele já soma cerca de 20 anos de reclusão e comanda o núcleo financeiro da facção de dentro do sistema prisional. A investigação aponta que a rede de lavagem de dinheiro é profissional e utiliza terceiros para adquirir bens de alto valor, tentando dar aparência legal aos lucros obtidos com a venda de entorpecentes no estado.
Esta nova ofensiva é um desdobramento das operações iniciadas em dezembro de 2023, que primeiro combateram a entrada de celulares em presídios e, depois, mapearam a estrutura econômica da organização. O Ministério Público mantém as apurações para identificar outros suspeitos de participação no esquema e localizar mais bens adquiridos pela quadrilha. Pelo menos três pessoas são investigadas formalmente nesta fase, mas o número de envolvidos pode crescer conforme a análise dos novos documentos apreendidos.




