O último acordo de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia expirou nesta quinta-feira, 5, deixando as duas maiores potências atômicas do mundo sem restrições sobre seus arsenais pela primeira vez em décadas. O encerramento do Novo START libera Washington e Moscou para expandir o número de ogivas operacionais, que atualmente respondem por mais de 80% do poder de destruição global. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o perigo de um conflito nuclear atingiu o nível mais crítico desde a Guerra Fria.

A falta de um sucessor para o tratado, assinado originalmente em 2010, remove o limite de 1.550 ogivas estratégicas para cada lado. O governo de Vladimir Putin chegou a sugerir uma prorrogação temporária no ano passado, mas a administração de Donald Trump não avançou com a proposta. Agora, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia declara que não possui mais obrigações legais com o texto, embora prometa agir com cautela. A ausência de inspeções presenciais elimina a transparência mútua sobre o poder de fogo de cada nação.
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É possível um novo pacto que regule armas nucleares?
A Casa Branca condiciona um novo pacto à inclusão da China, que moderniza suas defesas rapidamente. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, defende que um controle de armas eficaz no século 21 exige a participação de Pequim no tabuleiro diplomático. Por outro lado, o governo chinês recusa o convite para a mesa de negociações, sob o argumento de que seu arsenal, estimado em 550 lançadores, ainda é muito inferior aos cerca de 800 mantidos por cada uma das duas superpotências.
A comunidade internacional reagiu com apreensão ao vácuo jurídico e militar. O Papa Leão XIV e associações de sobreviventes de Hiroshima manifestaram temor de que a falta de diretrizes resulte em uma nova corrida armamentista global. Na Europa, a França responsabilizou o Kremlin pelo colapso das normas de segurança internacional. Enquanto isso, a Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares (ICAN) pressiona para que americanos e russos mantenham os limites do acordo de forma voluntária para evitar uma escalada de tensão.



