Investigação

Polícia realiza operação contra policiais penais que atuam no presídio de Camaquã

Também há suspeita de participação de servidores municipais em esquema

A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (22) uma operação que visa desarticular um esquema de corrupção envolvendo nove policiais penais no Presídio Estadual de Camaquã, no sul do Rio Grande do Sul. A ação resultou no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão em unidades prisionais de Camaquã, Canguçu e Rio Grande, além de residências e locais de trabalho dos investigados.

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Foto: Acústica FM

De acordo com as investigações, os agentes participavam de um sistema que permitia a entrada de celulares e drogas na unidade prisional mediante pagamento de vantagens financeiras. Os policiais também são suspeitos de sabotagem de ordens judiciais, além de beneficiar presos durante transferências e conceder privilégios internos.

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Delegado aponta que valores foram recebidos por policiais penais

Segundo o delegado Cassiano Cabral, do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), que foi ouvido por GZH, nove policiais estavam envolvidos na prática, incluindo dois que exerceram cargos de chefia de segurança. Os valores recebidos pelos agentes variavam entre R$ 1 mil e R$ 2 mil para facilitar a entrada de objetos ilícitos no sistema prisional.

A investigação revelou que os servidores costumavam retirar celulares dos detentos antes da entrada de equipes da Polícia Civil durante mandados de busca e apreensão. Os fatos ocorreram entre 2020 e 2023 e também envolveram a apreensão de tijolos de maconha no presídio de Camaquã. Ninguém foi preso na operação.

Além dos policiais, há suspeitas de participação de servidores municipais de Camaquã e de detentos. As práticas investigadas configuram crimes de corrupção ativa e passiva, facilitação de ingresso de aparelhos de comunicação em presídios, prevaricação imprópria e fraude processual qualificada.

A Polícia Civil não informou se os policiais penais envolvidos serão afastados das funções. A investigação teve início a partir de interceptações e provas compartilhadas judicialmente, que revelaram uma rede de favorecimento dentro do sistema prisional. Os nomes dos servidores não foram divulgados até o momento.

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