Na edição deste sábado (03), o programa Esquina Democrática recebeu na Rádio Acústica FM o patrão do GF Os Guapos de Camaquã, Elisandro, e o primeiro peão e declamador da entidade, Pedro Gomes, para celebrar a histórica vaga conquistada na etapa final do Encontro de Arte e Tradição Gaúcha (ENART). Na fase inter-regional disputada em Bom Princípio, o grupo garantiu o 8º lugar entre 27 entidades no quadro das Danças Tradicionais pela Força B, refletindo a dedicação de ensaios diários e o rigor técnico exigido pelas comissões avaliadoras. O empenho dos tradicionalistas locais resultou ainda na classificação de competidores nas modalidades individuais, ampliando a representatividade da Costa Doce na maior celebração cultural do Estado.

Representatividade nas modalidades individuais
Além da conquista coletiva do corpo de baile, a entidade garantiu passaporte para Santa Cruz do Sul com competidores nas modalidades de Intérprete Vocal, Causo e Declamação. O declamador Pedro Gomes relembrou sua trajetória no tradicionalismo iniciada aos dez anos nas bancas escolares e explicou a complexa dinâmica técnica exigida nas etapas eliminatórias, em que o poema sorteado exige preparação imediata com o amadrinhador ao violão. Na etapa inter-regional, Pedro interpretou a obra “Dois Corações”, de Sílvio Genro, ressaltando o cuidado necessário para não ultrapassar o tempo limite de apresentação sob pena de perda de pontos.
Rotina de ensaios intensos
O caminho até a classificação envolveu uma rotina rigorosa de treinamentos coordenada por instrutores e ensaiadores, intensificando-se no mês que antecedeu a competição com jornadas madrugada adentro. A opção pela disputa na Força B foi apresentada pela patronagem como uma decisão administrativa estratégica para garantir o aprimoramento técnico das nove danças exigidas pelo regulamento da categoria. Essa preparação contínua reflete o amadurecimento dos integrantes e o alinhamento da equipe técnica para apresentar um desempenho de excelência diante dos avaliadores. “No mês antes da Inter-Regional foi tenso. Quando se aproxima de um ENART é de domingo a domingo, todos os dias… entra madrugada adentro. A Força B leva nove danças no ENART e a Força A leva 21… a gente opta pela Força B até para ter todo esse tempo de trabalhar bem as nove danças ali e chegar lá e fazer um bom papel”, pontuaram os convidados.
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Formação de talentos locais, sede própria e apoio da comunidade
A consolidação do GF Os Guapos na cena tradicionalista do Rio Grande do Sul fundamenta-se na formação de dançarinos desde as categorias de base mirim e pré-mirim dentro da própria instituição. Paralelamente ao trabalho artístico, a diretoria ressaltou a importância das parcerias público-privadas e do engajamento comunitário na reestruturação e ampliação da sede social. O empenho dos moradores em pedágios beneficentes e doações de recursos garante a manutenção dos grupos e a continuidade dos projetos culturais que projetam o nome de Camaquã no cenário estadual. “Nos orgulha muito da parte administrativa chegar lá e ver teus pequenininhos chegarem na fase adulta e te levarem para grandes festivais. A pessoa passa no centro e dá R$ 1,00 ou R$ 2,00 no pedágio… aquilo ali é muito importante pra gente conseguir manter esses grupos fazendo esse trabalho bonito”, concluiu o patrão Elisandro.



