O padre Antônio Hofmeister, que atualmente atua no Vaticano, em Roma, concedeu entrevista à Rádio Acústica na manhã desta quarta-feira (30) para comentar a polêmica envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida durante as Eleições 2026. Durante a conversa, o sacerdote criticou o uso de símbolos religiosos em disputas político-partidárias e alertou para os riscos da disseminação de informações falsas nas redes sociais.

Ao abordar o tema, Hofmeister afirmou que a devoção à padroeira do Brasil não deve ser utilizada como instrumento de campanha. Segundo ele, Nossa Senhora Aparecida “não tem partido político, não tem favoritos ou candidatos que sejam dela” e não pode ser associada a interesses eleitorais.
O sacerdote lembrou que situações semelhantes já ocorreram em eleições anteriores. Como exemplo, citou notícias falsas que circularam em 2018 alegando que um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil estaria em tramitação na Câmara dos Deputados. Conforme explicou, a proposta havia sido arquivada anos antes, mas voltou a ser utilizada de forma enganosa durante a campanha eleitoral.
Hofmeister também ressaltou aspectos históricos relacionados à devoção mariana no país. Ele recordou que o feriado nacional de 12 de outubro foi instituído pela Lei nº 6.802, sancionada em 1980 durante a visita de São João Paulo II ao Brasil, e que o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira dos brasileiros remonta a décadas anteriores.
Durante a entrevista, o padre reforçou o posicionamento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) diante do processo eleitoral. Segundo ele, a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos e sua missão está voltada à promoção da dignidade humana, da vida e da construção do bem comum.
O sacerdote destacou ainda que a mensagem divulgada pelos bispos brasileiros para as eleições chama atenção para o combate às fake news, à corrupção, à compra de votos e à utilização indevida dos recursos públicos. Para ele, a instrumentalização da religião para fins políticos já é preocupante por si só, tornando-se ainda mais grave quando baseada em informações falsas.
Ao comentar o compartilhamento de conteúdos sem verificação, Hofmeister classificou a prática como desonesta. Segundo ele, eleitores não devem reproduzir materiais que favoreçam ou prejudiquem candidatos sem antes confirmar a veracidade das informações divulgadas.
Ao final da entrevista, o padre também mencionou a nota de esclarecimento divulgada pela CNBB sobre o assunto. Ele destacou a frase que encerra o documento: “A mentira nunca se combate com outra mentira”, defendendo que dúvidas e controvérsias sejam enfrentadas por meio do esclarecimento e da busca pela verdade.




