Pelotas deu um passo inédito na área da saúde nesta sexta-feira (11) com a realização da primeira cirurgia robótica a distância da região. O procedimento ocorreu no Hospital Piltcher e contou com a participação de uma equipe médica instalada em Curitiba, no Paraná. Uma paciente na faixa dos 40 anos passou por colecistectomia, para retirada da vesícula biliar, além de correção de diástase e tratamento de hérnias ventrais.

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Entenda como aconteceu o procedimento em Pelotas
A operação foi realizada com o auxílio de uma plataforma robótica que permitiu a atuação de médicos localizados em cidades diferentes. Em Pelotas, o procedimento foi conduzido pelo cirurgião do aparelho digestivo Rodrigo Piltcher. Em Curitiba, o cirurgião Leandro Totti comandou remotamente o equipamento. Conforme Piltcher, a paciente apresentou boa evolução e a previsão era de alta no dia seguinte.
Segundo o cirurgião, uma das principais vantagens da cirurgia robótica está na menor invasividade do procedimento. A técnica utiliza pequenas incisões no abdômen, reduzindo o trauma cirúrgico e favorecendo a recuperação do paciente.
Na avaliação de Piltcher, a tecnologia também apresenta diferenças em relação às técnicas convencionais utilizadas em determinados procedimentos. A expectativa é que a experiência realizada nesta sexta-feira sirva como base para a expansão da telecirurgia e, futuramente, possibilite a realização de operações de maior complexidade com profissionais especializados atuando remotamente.
Tecnologia conecta Pelotas e Curitiba
A participação de Leandro Totti na operação acrescentou experiência internacional ao procedimento. O médico já havia realizado uma cirurgia a distância a partir do Kuwait, com o paciente localizado em Curitiba.
Para Rodrigo Piltcher, a experiência demonstra que a tecnologia robótica pode ser utilizada para aproximar especialistas de diferentes localidades, sem restringir esse tipo de recurso aos grandes centros urbanos.
A iniciativa também representa uma possibilidade de ampliar o acesso a equipes especializadas na Zona Sul do Rio Grande do Sul. A proposta é utilizar a estrutura tecnológica para conectar profissionais e permitir a colaboração em procedimentos que exigem conhecimento específico.
O Hospital Piltcher já realizou aproximadamente 200 cirurgias robóticas. A operação desta sexta-feira, no entanto, teve um diferencial: pela primeira vez, o equipamento foi utilizado com a participação de equipes médicas instaladas em estados diferentes.
De acordo com Piltcher, a escolha inicial por um procedimento de menor complexidade fez parte da estratégia de implantação da tecnologia. A intenção é avançar gradualmente para intervenções mais complexas à medida que a experiência das equipes aumente.
Profissionais de diferentes áreas participaram
Além dos cirurgiões envolvidos diretamente na operação, a realização do procedimento exigiu a participação de profissionais especializados em cirurgia robótica, engenharia e suporte técnico.
A experiência também tem caráter de capacitação. Segundo Piltcher, o contato com a tecnologia e a participação em procedimentos desse tipo contribuem para a formação e o aprimoramento de profissionais que atuam na área.
A utilização da plataforma a distância, portanto, não envolve apenas a conexão entre dois cirurgiões. O procedimento depende de uma estrutura técnica capaz de garantir comunicação, operação do equipamento e acompanhamento da equipe presente no hospital onde está o paciente.
Hospital aposta na expansão da cirurgia robótica
Para a diretora do Hospital Piltcher, Maira Piltcher, a realização da telecirurgia representa uma nova etapa no processo de modernização da instituição. Segundo ela, a estratégia é oferecer em Pelotas recursos tecnológicos que anteriormente exigiam o deslocamento de pacientes para grandes centros, como Porto Alegre ou São Paulo.
A diretora destacou que o hospital foi pioneiro na região na adoção da cirurgia robótica e agora amplia essa atuação com a conexão remota entre equipes médicas.
Com cerca de 200 cirurgias robóticas realizadas, o Hospital Piltcher pretende continuar investindo em tecnologia e qualificação profissional. Para Maira, a evolução das técnicas representa ganhos em segurança, conforto e resultados para os pacientes.
A instituição também mantém investimentos na capacitação das equipes, com participação em centros de treinamento e atualização contínua. A expectativa é que a experiência inaugurada nesta sexta-feira seja o início de uma nova fase para a cirurgia robótica em Pelotas e na região.



