meio ambiente

Pescadores encontram espécie de piranha no Rio Camaquã

Avanço da palometa no Sul do estado preocupa pelo potencial de desequilíbrio na fauna

Pescadores registraram em imagem a presença de palometa (Serrasalmus maculatus), espécie popularmente conhecida como piranha-vermelha, no Rio Camaquã. O registro, feito recentemente em Camaquã, confirma relatos que circulam desde 2024 e amplia a preocupação de autoridades ambientais e usuários do rio com possíveis impactos à fauna aquática e à atividade pesqueira.

Pescadores encontram espécie de piranha no Rio Camaquã
Pescadores encontram espécie de piranha no Rio Camaquã. Foto: Ouvinte/Rádio Acústica FM.

A palometa é um peixe carnívoro, de dentes afiados, com alta capacidade de adaptação e reprodução. Nativa da bacia hidrográfica do rio Uruguai, a espécie vem sendo registrada, desde ao menos 2021, em outras bacias do Rio Grande do Sul, como os rios Sinos, Gravataí, Taquari e Caí, além do Lago Guaíba e da Laguna dos Patos.

No Guaíba, pescadores relatam prejuízos recorrentes, principalmente pela perda de peixes presos em redes e armadilhas, que acabam sendo mordidos pelas palometas.

Como a piranha chegou a outras bacias

Segundo especialistas, a principal hipótese para a dispersão da espécie envolve canais de irrigação, açudes e sistemas de bombeamento, que transferem água entre rios para abastecer lavouras. Esses mecanismos podem permitir o deslocamento dos peixes entre diferentes bacias hidrográficas.

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O biólogo e professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Uwe Horst Schultz, alertou em 2024 para a possibilidade de as palometas ocuparem todos os sistemas aquáticos do Rio Grande do Sul até 2025, caso o avanço não fosse contido. A espécie prefere água doce e de pouca correnteza, o que favorece sua permanência em rios, lagoas e canais.

Canais de irrigação também estão no radar

Após relatos de que a espécie teria sido encontrada em canais de irrigação da Associação dos Usuários do Perímetro do Arroio Duro (AUD), em Camaquã, a Rádio Acústica FM ouviu o diretor operacional da entidade, Everton Fonseca.

Segundo Fonseca, não há registro confirmado de piranhas na barragem, mas a presença da espécie no Arroio Duro ou nos canais de irrigação não é descartada. O engenheiro explica que há captação de água da Lagoa dos Patos e do Rio Camaquã para irrigação das lavouras, o que pode gerar contato com os canais da associação.

Para o engenheiro, a possibilidade é “muito preocupante”, especialmente pelos impactos sobre a fauna aquática local.

Comitê da Bacia do Rio Camaquã acompanha o caso

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Camaquã já tem conhecimento da presença da espécie na Lagoa dos Patos e no rio, principalmente na região de Amaral Ferrador. Em resposta à Rádio Acústica FM, o presidente do comitê, Luiz Rogério Silva da Silva, informou que o tema poderá ser incluído na pauta de próximas reuniões.

Criado em 2000, o Comitê Camaquã atua na defesa do rio e teve origem após uma série de mobilizações iniciadas em 1989, quando a bacia foi afetada por contaminação por mercúrio e mortandade de peixes.

A palometa oferece risco às pessoas?

De acordo com bibliografia consultada pela Rádio Acústica FM, a palometa não é considerada perigosa para humanos no sentido de representar uma ameaça grave ou frequente. Os especialistas ressaltam, no entanto, que o peixe pode ser agressivo com a fauna local.

Ataques a pessoas são raros e, quando ocorrem, costumam envolver mordidas defensivas leves, geralmente nos pés ou nas mãos. As situações mais comuns incluem:

  • sensação de ameaça ao peixe;
  • pisar acidentalmente em um exemplar;
  • períodos de pouca oferta de alimento, como durante a seca;
  • presença de iscas, peixes feridos ou restos de pesca na água.

Não há registros confiáveis de ataques fatais envolvendo palometas no Rio Grande do Sul.

Diferença entre palometa e outras piranhas

Especialistas destacam que a palometa não apresenta o mesmo comportamento das piranhas amazônicas mais agressivas e não realiza ataques coordenados contra grandes animais. No Sul do país, a chamada piranha-preta, maior e mais agressiva, é considerada rara.

Para reduzir riscos, biólogos orientam medidas simples:

  • evitar entrar na água com ferimentos abertos;
  • não descartar restos de peixe ou lavar pescado nas margens de rios e lagoas;
  • redobrar a atenção em áreas rasas e com grande concentração de peixes, especialmente no verão.

Em resumo:

  • Pode morder? Sim, em situações específicas;
  • É perigosa para humanos? Não representa risco grave;
  • Impacto ambiental: alto potencial de desequilíbrio na fauna aquática.