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Pesquisadores treinam técnicas de resgate genético para reflorestar áreas atingidas por enchentes no RS

A atividade integra o Projeto Reflora, coordenado pelo governo do Rio Grande do Sul, e busca recompor áreas devastadas pelas enchentes de 2024, além de preservar a diversidade genética das espécies locais

Pesquisadores e técnicos iniciaram, nesta quinta-feira (21), o treinamento prático de coleta e transplante de material genético de plantas nativas no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal (Ceflor), em Santa Maria. A atividade integra o Projeto Reflora, coordenado pelo governo do Rio Grande do Sul, e busca recompor áreas devastadas pelas enchentes de 2024, além de preservar a diversidade genética das espécies locais.

Pesquisadores treinam resgate de DNA e transplante de plantas nativas para reflorestar áreas atingidas pelas enchentes. Foto: Fernando Dias / Ascom Seapi.
Pesquisadores treinam resgate de DNA e transplante de plantas nativas para reflorestar áreas atingidas pelas enchentes. Foto: Fernando Dias / Ascom Seapi.

O método aplicado envolve quatro etapas: coleta de material genético em árvores saudáveis, enxertia de ramos, indução ao florescimento precoce e posterior plantio. A técnica reduz o tempo de regeneração das florestas de até 30 anos para um período estimado entre cinco e oito anos.

Segundo Jackson Brilhante, coordenador do projeto pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), trata-se de uma iniciativa inédita no Estado. O objetivo, segundo Brilhante, não é selecionar os exemplares mais produtivos, mas ampliar a diversidade genética, garantindo maior resiliência ecológica e benefícios econômicos no futuro.

Universidades e parceiros envolvidos

O Reflora reúne secretarias estaduais da Agricultura e do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), além da participação da empresa chilena CMPC e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Também participam universidades brasileiras de referência: UFV, UFSM, Unisc, PUCRS e UFRGS.

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Diego Balestrin, coordenador operacional pela Universidade Federal de Viçosa, destacou que o material genético é coletado em árvores matrizes, identificado com códigos para rastreabilidade e transportado em caixas térmicas até os viveiros, onde ocorre a fusão dos tecidos. O processo evita a endogamia e amplia a variabilidade genética.

Espécies trabalhadas

Entre as espécies coletadas em Santa Maria estão louro-pardo, cedro, ipê-roxo e cerejeira-do-mato. Amostras também foram obtidas no Centro Pró-Mata, em São Francisco de Paula, em treinamento realizado em 19 de agosto. Ao todo, o projeto prevê o plantio de mais de seis mil mudas de 30 espécies nativas ao longo de três anos.

Investimento e impacto

O Reflora terá investimento total de R$ 5,21 milhões, sendo R$ 2,86 milhões da CMPC e R$ 2,34 milhões da Embrapii. Os recursos serão destinados a infraestrutura, serviços de coleta, insumos e bolsas de pesquisa.

Para o engenheiro florestal Juarez Pedroso Filho, da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), o intercâmbio técnico fortalece a restauração florestal. “Temos 40 anos de experiência em viveiros e buscamos contribuir para o avanço da pesquisa e recuperação de áreas degradadas”, avaliou.

O professor Jorge Antonio de Farias, da Universidade Federal de Santa Maria, destacou que a parceria com instituições de ensino traz ganhos científicos e formativos. “O projeto surge em um momento crucial, em que o Rio Grande do Sul ainda enfrenta as consequências dos eventos climáticos extremos”, disse.

Tags: Pesquisa, reflorestar, resgate genético, RS