A Petrobras pretende iniciar, no segundo semestre de 2026, a transformação da Refinaria Rio-Grandense (RPR), localizada em Rio Grande, na primeira biorrefinaria do país. O projeto integra a estratégia da estatal de ampliar a produção de combustíveis renováveis e foi destacado nesta terça-feira (20), durante evento realizado no município, pela presidente da companhia, Magda Chambriard.

Segundo a presidente da Petrobras, a unidade deverá operar com tecnologia de ponta e alto nível de eficiência, posicionando-se entre as biorrefinarias mais avançadas do mundo. A conversão da RPR faz parte do plano de transição energética da empresa e prevê a produção de combustíveis sustentáveis, com destaque para o SAF (combustível sustentável de aviação), além de outros derivados de origem 100% renovável.
A expectativa é que a implantação da primeira fase do projeto tenha início no começo de 2026, com investimento estimado em cerca de R$ 1 bilhão.
Produção de petróleo cresce acima da média internacional
Durante o evento, Magda Chambriard também apresentou dados sobre o desempenho recente da Petrobras na produção de petróleo. De acordo com ela, a companhia encerrou o último ano com a entrega de 77 poços, número superior à média dos três anos anteriores, que era de 47 poços.
Ainda conforme a presidente, a produção em 2025 cresceu 11% em relação ao ano anterior, desempenho que colocou a estatal à frente de mais de 75% das refinarias em operação no mundo.
Campos do pré-sal impulsionam expansão da frota
A presidente da Petrobras ressaltou que o avanço da produção offshore tem impacto direto na logística da companhia. Os campos de Tupi e Búzios, no pré-sal, atingiram juntos a marca de 1 milhão de barris de petróleo produzidos por dia, o que exige a ampliação e modernização da frota de embarcações.
Nesse contexto, a Petrobras confirmou que ainda em 2025 será lançada a licitação para nove novas embarcações e plataformas, reforçando a estratégia de escoamento e comercialização do petróleo produzido no mar.
Estaleiro Rio Grande terá papel estratégico
Magda Chambriard destacou, ainda, a importância dos navios gaseiros que serão construídos no Estaleiro Rio Grande. Segundo a estatal, essas embarcações serão cerca de 20% mais eficientes no consumo de combustível e estarão preparadas para operar em portos eletrificados, com tecnologia embarcada de última geração.
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Biorrefinaria pode gerar até 5 mil empregos na região
Os impactos regionais do projeto já vêm sendo discutidos. Em novembro do ano passado, São Lourenço do Sul sediou reuniões para tratar da transformação da Refinaria de Petróleo Riograndense em biorrefinaria.
De acordo com o diretor da RPR, Flávio Mingorance, a unidade será adaptada para processar, em média, 1 milhão de toneladas de diferentes óleos por ano. Durante o pico das obras, previsto entre 2026 e 2028, a expectativa é de geração de cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos.
Produção voltada ao mercado internacional
A produção da futura biorrefinaria deverá atender principalmente aos mercados europeu e norte-americano, além do consumo interno. A projeção da empresa é de um faturamento que pode alcançar bilhões de dólares ao longo da operação, consolidando Rio Grande como um polo estratégico na nova matriz energética da Petrobras.



