SEGURANÇA

Polícia e Receita Federal miram organização criminosa com movimentação superior a R$ 500 milhões

Grupo é suspeito de tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos

A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram, nesta quarta-feira (4), a Operação Ifrit, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa transnacional suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas e armas. Segundo as investigações, o grupo teria movimentado mais de R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos de apuração.

Polícia e Receita Federal miram organização criminosa com movimentação superior a R$ 500 milhões
Foto: Divulgação

A operação cumpre 76 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina. As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, da Justiça Federal de Primeiro Grau.

A ação mobiliza 450 policiais federais, além de 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários da Receita Federal. O trabalho busca interromper as atividades ilícitas, identificar os envolvidos e atingir o patrimônio da organização por meio da apreensão de bens e valores supostamente provenientes de crimes.

Como funcionava a organização

De acordo com as investigações, a organização criminosa seria liderada por um núcleo familiar formado por três irmãos, seus filhos e outros parentes, além da participação de brasileiros e estrangeiros. O grupo teria uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre lideranças, operadores financeiros e responsáveis pela logística, transporte e segurança armada.

As apurações apontam que drogas e armamentos eram adquiridos principalmente na Bolívia, no Paraguai e no Peru. Posteriormente, os materiais entravam no Brasil pela faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul e eram distribuídos para municípios do estado e outras unidades da federação, especialmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

O território brasileiro também seria utilizado como plataforma logística para o armazenamento e transporte de entorpecentes destinados ao mercado europeu, principalmente Espanha e Portugal.

Movimentação financeira e suspeita de lavagem de dinheiro

As análises fiscais, bancárias e patrimoniais identificaram uma movimentação superior a R$ 500 milhões em cerca de dois anos. Conforme a Receita Federal, os recursos teriam circulado por contas vinculadas aos investigados, operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados, utilizados para ocultar a origem e a destinação dos valores.

A investigação também identificou indícios de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e utilização de pessoas interpostas para dissimular as movimentações financeiras.

Outro ponto apurado é a possível participação de agentes públicos, que teriam fornecido informações estratégicas e apoio às atividades da organização criminosa.

Elevado poder bélico

Os investigadores identificaram uma estrutura com significativa capacidade logística e operacional, incluindo o emprego de armamentos de elevado poder ofensivo, equipamentos de comunicação, drones, veículos blindados e instalações destinadas ao abrigo de integrantes armados.

Segundo os órgãos envolvidos, o grupo também teria vínculos operacionais com facções criminosas e utilizaria mecanismos de contrainteligência para proteger suas lideranças e manter as atividades ilícitas.

As investigações tiveram início a partir do compartilhamento de provas obtidas em outro procedimento investigativo. Desde então, foram realizadas análises fiscais, financeiras, patrimoniais e telemáticas, além de diligências de campo e medidas judiciais de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático.

A apuração aponta que a organização criminosa atuaria de forma estável e permanente pelo menos desde 2018. Os investigados poderão responder por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa, entre outros delitos.

A Receita Federal destaca que a atuação integrada com a Polícia Federal busca enfraquecer financeiramente estruturas criminosas e combater atividades ilícitas que ultrapassam as fronteiras nacionais.

Mapeamento criminoso – Polícia Federal

Foto: Reprodução

 

 

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