POLÍCIA

Polícia mira esquema de fraude fiscal envolvendo empresas em Dom Pedrito

Investigação aponta indícios de sonegação superiores a R$ 550 mil em tributos estaduais e envolve pelo menos 12 empresas

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta terça-feira (27), a Operação Obelisco, em Dom Pedrito, na região da Campanha. A ação investiga a participação de empresários em um suposto esquema de fraude fiscal que envolveria a transferência de empresas endividadas para pessoas utilizadas como intermediárias, conhecidas como “laranjas”, com o objetivo de evitar responsabilidades financeiras e sonegar tributos.

Polícia mira esquema de fraude fiscal envolvendo empresas em Dom Pedrito
Foto: Divulgação

A operação é conduzida pela Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro, vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (DERCAP), com apoio da Delegacia de Polícia Regional de Bagé. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, com a mobilização de 30 policiais civis.

Conforme a investigação, cerca de dez empresários de Dom Pedrito são suspeitos de terem se beneficiado de um esquema organizado por um escritório de contabilidade sediado em Sapiranga, no Vale do Sinos. A apuração teve origem na Operação Acerto de Contas, deflagrada em janeiro deste ano, que teve como principal alvo o responsável pelo escritório, preso preventivamente desde o início de 2026.

As diligências complementares apontaram que o suposto esquema não se limitava à Região Metropolitana de Porto Alegre. A partir da indicação de clientes, os serviços investigados teriam chegado a empresários de diferentes municípios gaúchos, incluindo Dom Pedrito.

Segundo a Polícia Civil, o esquema consistiria em transferir empresas com dívidas para o nome de terceiros e, posteriormente, abrir novos negócios para que as atividades comerciais continuassem sem que os antigos responsáveis aparecessem formalmente vinculados aos débitos. A investigação também apura a chamada “redução tributária”, que, conforme o material policial, seria utilizada para encobrir a sonegação de impostos.

Entre os casos identificados durante a apuração, há suspeitas de utilização de familiares e de pessoas com deficiência como titulares formais de empresas. Os fatos são investigados para esclarecer as circunstâncias das transferências e a eventual participação dos envolvidos.

As medidas alcançam pelo menos 12 empresas e identificaram indícios de sonegação superiores a R$ 550 mil, considerando apenas os impostos estaduais. Os administradores investigados são suspeitos de crimes contra a ordem tributária e falsidade ideológica.

Polícia busca identificar outros envolvidos

A Operação Obelisco tem como objetivo reunir e preservar provas documentais, digitais, contábeis e financeiras, além de identificar outros possíveis beneficiários do esquema, as pessoas utilizadas como intermediárias e as empresas envolvidas. A Polícia Civil também busca dimensionar o prejuízo aos cofres públicos e viabilizar a responsabilização criminal dos suspeitos e o ressarcimento dos tributos eventualmente sonegados.

A primeira fase da investigação, denominada Operação Acerto de Contas, foi realizada em 28 de janeiro de 2026, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Rio Grande do Sul, e a Receita Estadual. Na ocasião, foram cumpridas 261 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, prisão preventiva, monitoramento eletrônico, sequestro de imóveis, apreensão de veículos e bloqueio de ativos financeiros.

A Polícia Civil informou que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das investigações e dentro dos limites legais.

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