A estrutura, os desafios e os avanços do sistema prisional da região foram temas de uma entrevista concedida na manhã desta segunda-feira (08) pelo delegado da 5ª Delegacia Regional da Polícia Penal, Eduardo Araújo Vieira. Também participaram da conversa o diretor do Presídio Estadual de Camaquã, Josimar Martins, e a coordenadora técnica regional, Suleima Gomes Bredow.

Durante a entrevista, os representantes da Polícia Penal apresentaram ações voltadas à ressocialização das pessoas privadas de liberdade, destacando investimentos em educação, qualificação profissional, saúde e oportunidades de trabalho dentro das unidades prisionais da região.
Segundo Vieira, a 5ª Delegacia Regional administra cerca de 3 mil apenados distribuídos em diferentes estabelecimentos prisionais. O delegado ressaltou que a missão da Polícia Penal vai além da segurança, envolvendo também políticas de reinserção social por meio do estudo e do trabalho.
No Presídio Estadual de Camaquã, mais de 30% dos apenados participam de atividades educacionais, incluindo ensino formal, remição pela leitura e cursos de qualificação. A coordenadora técnica regional, Suleima Gomes Bredow, destacou ainda que a unidade recebeu recentemente uma nova sala de aula, ampliando a capacidade de atendimento educacional.
Outro tema abordado foi a importância da participação da iniciativa privada e dos municípios na criação de oportunidades de trabalho para os apenados. Conforme os gestores, a região possui espaço para a instalação de novos projetos produtivos dentro das unidades prisionais, dependendo do interesse de empresas e instituições parceiras.
Entre os exemplos citados estão os projetos desenvolvidos nos presídios de Jaguarão e Santa Vitória do Palmar, onde pessoas privadas de liberdade participam da fabricação de fraldas e absorventes por meio de convênios com as prefeituras. A produção é destinada a famílias em situação de vulnerabilidade social e os trabalhadores recebem remuneração pela atividade.
Na área de qualificação profissional, o diretor Josimar Martins destacou a realização de cursos em parceria com o SENAI. A primeira turma foi formada na área de soldagem, e novas capacitações em elétrica predial e instalação e manutenção de aparelhos de ar-condicionado estão previstas para os próximos meses.
Os representantes da Polícia Penal também incentivaram a comunidade a colaborar com projetos de ressocialização, incluindo a doação de livros para as bibliotecas das unidades prisionais. Segundo eles, as obras passam por análise técnica e podem contribuir para programas de remição de pena por meio da leitura.
Ao final da entrevista, os gestores reforçaram que a ressocialização depende da atuação conjunta do poder público, das empresas e da sociedade, com o objetivo de oferecer novas oportunidades aos apenados e contribuir para a redução da reincidência criminal, promovendo mais segurança para toda a comunidade.



