A Polícia Civil investiga a possibilidade de execução na morte do agricultor Marcos Nornberg, de 48 anos, baleado durante uma ação da Brigada Militar na madrugada de 15 de janeiro, na zona rural de Pelotas. O caso é apurado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que já ouviu familiares da vítima e começou a tomar depoimento dos policiais militares envolvidos.

As informações foram confirmadas nesta quarta-feira (28) pela delegada Walquíria Meder, titular da DHPP, em entrevista à Rádio Acústica FM.
Imagens e depoimentos orientam investigação
Imagens de uma câmera de monitoramento instalada na residência registraram parte da ação policial. Segundo a delegada, os vídeos indicam que os policiais teriam se identificado e ordenado que o agricultor se rendesse, diferente das informações preliminares relatadas para imprensa.
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Em depoimento, a viúva Raquel Nornberg, que estava na casa no momento da abordagem, afirmou que não foi possível identificar que se tratava de uma ação de policiais. De acordo com o relato, o casal dormia quando, por volta das 3h, ouviu movimentação no pátio. A mulher disse ter acreditado que se tratava de um assalto.
Nesse contexto, Marcos Nornberg buscou a arma que mantinha em casa, devidamente registrada. A delegada destacou que, diante do histórico de crimes em áreas rurais, a reação pode ser considerada “compreensível” com a percepção de ameaça.
Dinâmica dos disparos ainda depende de perícia
Após os primeiros disparos, a viúva relatou ter ouvido gritos e tiros dentro da residência. O agricultor foi atingido e morreu no local.
De acordo com Walquíria Meder, a análise pericial dos vídeos ainda não foi concluída, mas há indícios de que Marcos Nornberg possa ter efetuado dois disparos antes de ser atingido diversas vezes por policiais.
A investigação também apura a possibilidade de um disparo à queima-roupa, hipótese que é corroborada por laudo técnico da necropsia.
Áudio levanta suspeita sobre último disparo
Segundo o depoimento da viúva, um dos policiais teria dito algo semelhante a “mexeu a cabeça” antes do último disparo. O comentário foi captado pelo áudio do sistema interno de monitoramento, mas a delegada ressaltou que apenas uma perícia técnica poderá confirmar o conteúdo exato da fala.
O áudio registra ainda um disparo isolado cerca de 15 segundos após o fim do tiroteio inicial, o que reforçaria a hipótese popularmente chamada de “tiro de misericórdia”.
Defesa ou excesso: hipóteses seguem em apuração
A Polícia Civil investiga ao menos duas linhas: uma apura se houve legítima defesa na ação dos policiais, outra apura a possibilidade de excesso, com a execução do agricultor quando não apresentava mais risco. “A investigação da Polícia Civil está restrita à apuração de eventual crime de homicídio”, afirmou Walquíria Meder.
Paralelamente, a Corregedoria-Geral da Brigada Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar se o procedimento operacional adotado na ação seguiu os protocolos da corporação.
As duas investigações ocorrem de forma independente. A Polícia Civil apura a responsabilidade criminal, enquanto a Brigada Militar analisa a conduta funcional dos agentes envolvidos.





