Produtores de arroz do Rio Grande do Sul relatam prejuízos com a queda acentuada dos preços nos últimos dois anos e defendem o uso de mecanismos de apoio para escoar a produção. A avaliação foi feita pela engenheira agrônoma Monica Schluter, diretora técnica da Federarroz, durante entrevista ao programa Esquina Democrática deste sábado (25). Segundo ela, os custos de produção superam os valores pagos pelo produto, o que pressiona a renda no campo.

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De acordo com a dirigente, o excesso de oferta após a última safra agravou o cenário. O Estado ainda mantém estoques elevados, o que dificulta a recuperação dos preços. Nesse contexto, instrumentos como os leilões de subvenção ao escoamento ganham importância para viabilizar a exportação e reduzir perdas.
Monica afirma que o crédito rural também se tornou mais restrito. Bancos passaram a exigir mais garantias, como alienação fiduciária, além de condicionantes ambientais. Com menos acesso a financiamento, muitos produtores venderam a produção no período de colheita, quando os preços são mais baixos.
A diretora destaca que os produtores devem regularizar a documentação para participar dos leilões previstos para os próximos dias. Entre as exigências estão cadastro em sistemas federais, regularidade fiscal e atualização de registros da área plantada. A orientação é procurar corretores para intermediar a participação.
Além da queda de preços, o setor aponta concorrência externa como fator de pressão. Segundo a agrônoma, o arroz importado de países vizinhos entra no mercado brasileiro com menor carga tributária e regras ambientais mais flexíveis. Ela afirma que isso cria uma disputa desigual com o produto nacional.
O Rio Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção de arroz do país. Municípios da fronteira oeste concentram grandes áreas cultivadas, mas enfrentam custos elevados de transporte até os principais mercados consumidores e portos.
Produtores também citam dificuldades logísticas, como estradas e pontes em más condições, e ausência de ferrovias. Esses fatores aumentam o custo final e reduzem a competitividade do produto gaúcho.
Para o setor, o escoamento da safra atual é essencial para evitar nova queda de preços no segundo semestre. A expectativa é que a redução dos estoques contribua para equilibrar oferta e demanda no mercado interno.





