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Produtores de fumo preparam grande mobilização pelas ruas de Santa Cruz do Sul

Organizado pela FETAG-RS, a mobilização aguarda pelo menos mil pessoas na segunda-feira (27) para denunciar a desvalorização da safra e garantir a sustentabilidade do setor para 2027

Na edição desta sexta-feira (22) do programa Primeira Hora, a pauta econômica e social do meio rural ganhou destaque com a participação de Camila Rode, representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS). Durante a entrevista, a convidada detalhou a grande mobilização de produtores de tabaco agendada para a próxima segunda-feira (25), em Santa Cruz do Sul. O movimento, capitaneado pela federação e pelos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, surge como uma resposta urgente aos anseios dos agricultores frente à atual safra, denunciando critérios abusivos de classificação e a consequente desvalorização do produto pelas indústrias fumageiras.

Produtores de fumo preparam grande mobilização pelas ruas de Santa Cruz do Sul
Foto: Reprodução

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O desequilíbrio no sistema integrado

O ponto central do debate girou em torno das falhas estruturais do sistema integrado, que, segundo a líder sindical, tem transferido prejuízos exclusivamente para as famílias fumicultoras em momentos de oscilação de mercado. Camila criticou a postura das indústrias, que utilizam justificativas previsíveis para rebaixar os preços pagos ao produtor, alterando as regras de compra em relação a anos anteriores.

Logística da mobilização

Camila informou que o evento começará com a recepção de caravanas vinda de diversos municípios no Parque da Oktoberfest, seguida por uma caminhada pacífica e respeitosa pelas ruas centrais da cidade. Camila enfatizou que o objetivo também é sensibilizar a sociedade urbana, uma vez que a saúde financeira de 208 municípios gaúchos depende diretamente da renda gerada pelo setor, o segundo maior item de exportação do Rio Grande do Sul. Para demonstrar visualmente essa força de trabalho, a orientação é que os participantes levem ferramentas de sua rotina. “É importante sensibilizar a sociedade, pois os fumicultores de 208 municípios gastam seu dinheiro no comércio local; se eles são impactados, todos são. Pedimos que os agricultores tragam representações do seu trabalho: sua manoca (maço de fumo), máquinas de plantar, bandejas ou mudas”, convocou a representante.

Expectativa de público

Camila Rode projetou um público de pelo menos mil pessoas e minimizou os receios de retaliação por parte das grandes empresas, defendendo o caráter essencialmente democrático da manifestação. A representante da FETAG-RS demonstrou profunda preocupação não apenas com a comercialização atual do tabaco mas também com o planejamento e a sustentabilidade da próxima safra, cobrando maior transparência das fumageiras. Mostrando firmeza na continuidade da mobilização, ela concluiu assegurando que o ato ocorrerá independentemente das condições climáticas, ao afirmar que “a mobilização sairá com qualquer tempo, mesmo com previsão de garoa. Não é momento de dar ré. Mostraremos nossa força com a hospitalidade e o respeito típicos do nosso agricultor”.