A Polícia Federal (PF) e a reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apuram o furto de amostras virais de um laboratório de alta segurança da instituição. O caso, que resultou na prisão temporária de uma professora e na investigação de um doutorando, aponta para o uso irregular de insumos científicos. Segundo as autoridades, o material foi localizado em freezers de outra unidade acadêmica, com indícios de que os rótulos originais foram adulterados para dificultar a identificação.

O caso do desaparecimento de vírus teve início em fevereiro
A crise começou em 13 de fevereiro, quando pesquisadores do Laboratório de Virologia notaram a falta de caixas de armazenamento. Imagens do sistema de monitoramento interno revelaram que, entre os dias 24 e 25 daquele mês, o aluno Michael Edward Miller entrou e saiu do recinto em horários alternativos, carregando objetos. A movimentação atípica durante a madrugada e o início da manhã despertou a suspeita de colegas, que relataram os fatos à diretoria do Instituto de Biologia (IB).
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Diante do risco à biossegurança — conjunto de normas que visa prevenir a exposição a agentes biológicos — a universidade acionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a PF em março. No dia 21, agentes realizaram buscas e apreenderam parte das amostras em um equipamento de refrigeração na Faculdade de Engenharia de Alimentos. O local de trabalho da professora Soledad Palameta Miller, esposa de Michael, foi imediatamente lacrado para perícia técnica.
A investigação sobre sumiço de vírus aponta que a docente teria tentado ocultar outras amostras em um laboratório vizinho após a operação policial. Soledad foi detida, mas obteve liberdade provisória e responderá por fraude processual, transporte irregular de organismos e por expor a vida de terceiros a perigo. A PF agora verifica se o material retirado do laboratório de nível de segurança 3 (NB3), destinado a agentes de alto risco, seria utilizado na empresa de biotecnologia do casal.
Em nota oficial, a Unicamp classificou o episódio como um fato isolado e garantiu que não houve manipulação de vírus geneticamente modificados. A universidade reforçou que colabora com as autoridades e que os protocolos de segurança interna estão sendo revisados. Até o momento, os advogados de defesa de Soledad e Michael Miller não apresentaram manifestações sobre as acusações de desvio e irregularidades no manuseio do material científico.




