SEGURANÇA

Programa Libertar amplia combate a crimes sexuais contra jovens no RS

Escrivã destaca como a iniciativa criada em Camaquã já ajudou a revelar dezenas de casos de abuso e amplia ações de prevenção

A escrivã da Polícia Civil, Bianca Benemann, destacou neste sábado (11), a importância do Programa Libertar, iniciativa voltada à prevenção de crimes sexuais contra crianças e adolescentes, que recentemente avançou ao se tornar política pública no Rio Grande do Sul após aprovação unânime na Assembleia Legislativa.

Programa Libertar
Foto: Divulgação

Criado inicialmente em escolas da região de Camaquã, o programa tem como foco orientar estudantes sobre situações de abuso, incentivar a denúncia e aproximar a Polícia Civil do ambiente escolar. Segundo Bianca, a proposta nasceu de forma orgânica e ganhou força com o apoio de instituições de ensino, órgãos de proteção e veículos de comunicação.

Durante a entrevista, a escrivã ressaltou que o projeto já apresenta resultados concretos. Na fase inicial, ainda como projeto piloto, houve aumento de 152% nos registros de ocorrências na região da Costa Doce, evidenciando que casos antes ocultos passaram a ser denunciados. Em 2025, após mais de 100 palestras realizadas e cerca de 10 mil jovens alcançados, foram registrados 71 casos, incluindo 43 de estupro de vulnerável, com vítimas retiradas de situações de violência.

Bianca também enfatizou que o Programa Libertar atua tanto na prevenção quanto na repressão, mas, principalmente, no acolhimento das vítimas. O trabalho envolve uma rede integrada com Conselho Tutelar, serviços de apoio psicológico, Ministério Público e Judiciário, garantindo suporte às crianças e suas famílias.

Outro ponto abordado foi o crescimento dos crimes sexuais no ambiente digital. O Programa Libertar conta com apoio do setor de crimes cibernéticos da Polícia Civil para orientar estudantes sobre abordagens feitas por criminosos em jogos e redes sociais, ampliando a proteção no ambiente virtual.

A escrivã alertou ainda que a maioria dos abusos ocorre dentro de casa ou é praticada por pessoas próximas, o que reforça a necessidade de ações dentro das escolas, consideradas um espaço seguro para que vítimas possam buscar ajuda.

O Programa Libertar já ultrapassou fronteiras estaduais e foi apresentado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sendo apontado como um protocolo inovador com potencial de aplicação em outros países da América Latina.

Programa Libertar – Denúncias

Por fim, Bianca reforçou os canais de denúncia disponíveis, como o Disque 100, que funciona de forma gratuita e anônima, além da possibilidade de procurar delegacias, conselhos tutelares ou adultos de confiança. Escolas interessadas em receber o programa também podem solicitar a participação por meio das redes oficiais do projeto.

Confira a fala de Bianca Benemann sobre a expansão do Programa Libertar

Tags: 30º Batalhão de Polícia Militar, Programa Libertar