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Projeto de balé do CRAS transforma a vida de centenas de jovens em Sentinela do Sul

No Primeira Hora desta sexta (19), a professora Bárbara Kahmann explicou como o balé promove disciplina, inclusão e prepara os alunos para o futuro

Na manhã desta sexta-feira (19), o programa Primeira Hora recebeu a professora de Educação Física e bailarina Bárbara Kahmann para falar sobre o impacto social do projeto de balé realizado pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) em Sentinela do Sul. Vivendo exclusivamente da dança clássica e administrando sua própria empresa, Bárbara relembrou sua trajetória de 13 anos na região Centro-Sul, onde chegou inicialmente para passar apenas dois meses. Hoje, seu trabalho atinge cerca de 500 alunos entre iniciativas públicas e particulares, transformando vidas através da arte.

Projeto de balé do CRAS transforma a vida de centenas de jovens em Sentinela do Sul
Foto: Alice Campos

O balé além dos passos

O projeto em Sentinela do Sul funciona muito além de uma simples oficina de dança, servindo como um espaço de acolhimento e desenvolvimento humano. De acordo com a professora, as aulas atuam em conjunto com o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos da Assistência Social para engajar as famílias e dar suporte aos jovens. “As atividades do CRAS são um chamariz para as crianças do serviço de convivência pra gente conseguir identificar alguma dificuldade”, explicou a profissional, detalhando que as dinâmicas abordam temas transversais urgentes, como sexualidade, profissões e o futuro no mercado de trabalho. A paixão das alunas pela modalidade transformou o grupo em um espaço de afeto e estabilidade, superando as barreiras da vulnerabilidade social.

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Conquista de competições

A busca por independência e superação marcou um dos momentos mais marcantes do projeto, quando as bailarinas demonstraram o desejo de levar a arte de Sentinela do Sul para palcos competitivos externos. Diante do questionamento das meninas, que acompanhavam outras bailarinas nas redes sociais e perguntavam “Professora, por que que só elas vão pra competição e a gente não?”, a comunidade se uniu para viabilizar as inscrições por meio de rifas, superando críticas e gerando um aprendizado prático de autonomia. “Se eu te falar que essas meninas venderam rifa acho que até pro papa… Elas pagaram essas inscrições, sobrou dinheiro e depois a gente fez uma comemoração… acho que isso é um processo de formação de cidadão”, relembrou Bárbara com orgulho.

Um legado cultural

O sucesso da iniciativa destaca a necessidade contínua de investimentos em políticas públicas de esporte e cultura que transcendam gestões políticas e assegurem o futuro das novas gerações. Ao longo de sua trajetória, Bárbara Kahmann testemunhou o balé realizar desejos geracionais na região, ouvindo de muitos pais que o projeto social permitia que os filhos vivessem um sonho que eles próprios nunca puderam alcançar. Exigente quanto à parte técnica e técnica da modalidade, a professora defende o rigor das aulas como um ensinamento que as alunas levarão para o resto da vida: “O balé clássico ajuda na formação para a vida… ele ensina a disciplina, ensina a pontualidade, ensina a postura. Eu cobro, eu brigo bastante, mas eu acho que é aí que a gente trabalha essas crianças pro futuro”.