A Polícia Civil investiga desde abril uma ex-secretária da causa animal de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, por suspeita de eutanásia excessiva que teria sido a causa de matar dezenas de animais. Além disso, ela também é suspeita de estelionato. A operação Carrasco cumpre seis mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (4) em Canoas, Porto Alegre e Arroio dos Ratos.

A eutanásia é o procedimento que provoca a morte de um animal para evitar sofrimento, mas, segundo investigadores, teria sido usada de forma indiscriminada, sem avaliação veterinária. Já o estelionato diz respeito ao desvio de recursos públicos ou doações por meio de fraude. A ação envolve agentes da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas e do Instituto-Geral de Perícias, órgão estadual de perícia criminal. Organizações não-governamentais de proteção animal também participam das diligências.
A suspeita seria Paula Lopes, de 50 anos, que atuou como secretária da causa animal de janeiro a agosto deste ano na gestão do prefeito Airton Souza. Ela pediu exoneração em 13 de agosto, conforme publicação no Diário Oficial do município.
Ela é suspeita de matar dezenas de animais por semana
As investigações começaram após denúncias internas que apontaram a morte de 15 a 30 animais por semana. Relatos indicam que cães e gatos, inclusive com tutores, eram levados à secretaria para receber injeções letais. Não há registro de avaliação prévia por médico veterinário, procedimento obrigatório em sacrifícios por motivo de saúde animal. A delegada Luciane Bertoletti conduz o caso na 3ª Delegacia de Canoas.
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Durante as buscas, foram encontrados 14 animais mortos em sacos plásticos dentro de um freezer na sede da secretaria. Em um container sem ventilação, havia gatos confinados em gaiolas sem caixa de areia, situação considerada insalubre por peritos. Fotos feitas por funcionários mostraram os sacos com os corpos empilhados, o que motivou a expedição dos mandados pela Justiça.
A Polícia Civil apreendeu ainda documentos, computadores e materiais que poderão comprovar o fluxo de entradas e saídas na secretaria. A ex-secretária nega irregularidades, mas não se manifestou oficialmente até a manhã desta quinta (04). O Ministério Público deverá requisitar perícias complementares para verificar as condições dos animais antes da eutanásia, para saber se a intenção era apenas a de matar animais.
Além do cargo público, Paula Lopes fundou o Instituto Paula Lopes, que realiza resgates e acolhimento de animais. Segundo a investigação, campanhas de doações eram divulgadas nas redes sociais com promessa de reabilitação, mas parte dos recursos teria sido desviado via Pix da ONG.
A polícia encontrou cerca de R$ 100 mil em espécie na residência da suspeita, sem comprovação de origem lícita. O uso da própria instituição para obter ganhos indevidos configura indício de estelionato. Em casos de eutanásia legal, o procedimento veterinário deve ser registrado em formulários específicos, o que não ocorreu neste esquema. A defesa de Paula Lopes e a prefeitura de Canoas foram procuradas e terão espaço para manifestação.




