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Receita Federal usa inteligência artificial para punir confusão patrimonial entre sócios e empresas

Dra. Luciana Pereira da Costa explica como o cruzamento automatizado de dados financeiros exige separação rígida de contas às vésperas do fim do prazo do IR

O programa Primeira Hora desta segunda-feira (18), recebeu a advogada Dra. Luciana Pereira da Costa, especialista da Tax Group e da Pereira da Costa Advogados. Durante a entrevista, a convidada trouxe alertas cruciais sobre as transformações no ecossistema empresarial diante do avanço da regulamentação da reforma tributária. O principal foco de atenção inicial se voltou para as empresas do Simples Nacional que atuam como fornecedoras de grandes corporações.

Receita Federal usa inteligência artificial para punir confusão patrimonial entre sócios e empresas
Foto: CNN Brasil

Inteligência artificial contra a confusão patrimonial

Um ponto destacado foi a proximidade do prazo final para a entrega do Imposto de Renda e o nível de sofisticação na fiscalização da Receita Federal. Luciana ressaltou que o fisco passou a utilizar intensamente inteligência artificial para monitorar o comportamento financeiro dos contribuintes em tempo real, tornando obsoleta a antiga postura passiva de apenas conferir papéis. A advogada enfatizou o perigo de misturar as finanças da pessoa física com as da pessoa jurídica, o que pode levar à desclassificação de lucros isentos e à aplicação de pesadas multas por confusão patrimonial. “Empresário que mistura patrimônio, não é que esteja errado, mas ele tem que ter um cuidado absoluto com as suas contas e isso estar contabilmente muito bem justificado”, explicou.

Receita Federal lança novo programa

A entrevista também jogou luz sobre o programa Sintonia, uma iniciativa da Receita Federal que estabelece um sistema de classificação de risco fiscal (rating) para as empresas, variando de A+ até D. A grande novidade trazida pela especialista é que essa nota não será um dado meramente burocrático, mas sim uma informação pública e transparente que passará a ditar o fechamento de contratos no mercado corporativo privado. “Empresas classificadas aí com C apresentam risco fiscal. Essas empresas com risco fiscal passam a talvez não fechar bons negócios com outra, enfim, fechar portas de oportunidade”, advertiu Luciana.

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Novo cenário econômico

Ao encerrar sua participação, a Dra. Luciana Pereira da Costa reforçou que o cenário atual exige que as empresas abandonem o amadorismo e busquem assessoria contábil e jurídica especializada para gerenciar seus dados antes do envio ao fisco. A conformidade tributária e a recuperação de créditos deixaram de ser pautas exclusivas de grandes corporações e passaram a definir a sobrevivência dos pequenos negócios. Sabendo que o radar da fiscalização mudou drasticamente, a advogada concluiu que o segredo do sucesso na transição econômica atual reside na estratégia preventiva: “Sabendo como o jogo se joga, se preparar para ele. Preparar a documentação que você envia para que ela deponha a favor da sua classificação”.