INFRAESTRUTURA

Prefeitura vai atrás de recursos para seguir aplicando projetos previstos no estudo hidrológico de Camaquã

Estudo hidrológico orienta intervenções estruturais contra alagamentos; obras previstas exigem investimentos milionários

A Prefeitura de Camaquã segue em busca de recursos para dar continuidade aos projetos previstos no estudo hidrológico de Camaquã, elaborado para reduzir alagamentos no município. A informação foi confirmada pelo prefeito Abner Dillmann (PSDB) em entrevista à Rádio Acústica FM, na sexta-feira (12), após as fortes chuvas da última semana, quando mais de 250 milímetros foram registrados, resultando em novo decreto de emergência e ao menos 17 pessoas temporariamente desalojadas.

Solução para alagamentos na Presidente Vargas pode exigir investimento milionário. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.
Solução para alagamentos na Presidente Vargas pode exigir investimento milionário. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.

Segundo o prefeito, os episódios recorrentes de alagamentos reforçam a necessidade de avançar nas obras estruturais previstas no estudo. Parte dos projetos foi executada em gestões anteriores, mas a implantação completa depende de uma sequência de investimentos de alto valor, principalmente em obras de macrodrenagem.

O estudo hidrológico foi desenvolvido durante a administração do ex-prefeito Ivo de Lima Ferreira e prevê intervenções em pontos considerados críticos da cidade.

Bacias de contenção são eixo central do projeto

Entre as principais obras previstas estão bacias de contenção, estruturas projetadas para armazenar temporariamente grandes volumes de água da chuva. O estudo aponta a necessidade de ao menos cinco bacias em locais estratégicos de Camaquã.

Essas estruturas funcionam como reservatórios que captam o excesso de água proveniente de áreas impermeabilizadas, reduzem a velocidade do escoamento e liberam o volume de forma controlada para a rede de drenagem. O objetivo é evitar picos de vazão que causam transbordamentos em sangas, córregos e rios urbanos.

Além de reduzir enchentes, as bacias contribuem para a retenção de sedimentos e resíduos, melhorando a qualidade da água e protegendo áreas densamente povoadas.

Impacto vai além do bairro onde a obra é feita

De acordo com Abner Dillmann, as bacias têm efeito sistêmico. Uma estrutura construída em um bairro pode reduzir alagamentos não apenas no entorno imediato, mas também desacelerar o volume de água que chega a outras regiões da cidade.

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Uma bacia nas proximidades do bairro Floresta, por exemplo, poderia amenizar problemas locais e, ao mesmo tempo, retardar a chegada da água à Sanga do Passinho, no bairro Getúlio Vargas, beneficiando diversos pontos do município, incluindo vias como a avenida Presidente Vargas.

Experiências de outras cidades reforçam viabilidade

Projetos semelhantes já estão em execução em outras cidades brasileiras. Em Juiz de Fora, Minas Gerais, a prefeitura garantiu junto ao governo federal R$ 356 milhões para obras de macrodrenagem e esgotamento sanitário. Um dos reservatórios previstos terá 11 metros de profundidade e capacidade para quase 50 mil metros cúbicos de água. Sobre a estrutura, será implantado um campo de futebol com gramado sintético, unindo drenagem urbana e área de lazer.

São Paulo, Belo Horizonte e Brasília também utilizam bacias de contenção integradas aos sistemas de drenagem pluvial como estratégia permanente de prevenção a enchentes.

Projeto “cidade-esponja” deve começar em 2026

Além das bacias de contenção, Camaquã deve iniciar em 2026 a implantação do projeto cidade-esponja, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg). A proposta prevê a adaptação de duas vias do município com sistemas que retardam a chegada da água da chuva à rede pluvial.

Prefeitura vai atrás de recursos para seguir aplicando projetos previstos no estudo hidrológico de Camaquã, Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.
Prefeitura vai atrás de recursos para seguir aplicando projetos previstos no estudo hidrológico de Camaquã, Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.

A solução inclui drenos laterais com pedra graduada, tubos perfurados e tampas com orifícios, capazes de reter parte da água antes do escoamento. Segundo o prefeito, o projeto tende a gerar impacto positivo, mas não substitui a necessidade de executar integralmente as obras previstas no estudo hidrológico.

Clima exige integração entre meio ambiente e infraestrutura

Para Abner Dillmann, as mudanças climáticas impõem um novo padrão de planejamento urbano. São ações que precisam integrar meio ambiente e infraestrutura. Segundo o prefeito, apenas a execução completa do estudo hidrológico de Camaquã permitirá uma solução duradoura para problemas que se repetem a cada evento de chuva intensa no município.

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