economia

Reforma tributária: 2026 é o ano decisivo para a arrecadação dos municípios gaúchos pelos próximos 50 anos

Conselheiro Édson Brum orienta gestores locais a focarem na cobrança de dívidas ativas diante da mudança da cobrança de impostos da origem para o local de consumo

Na manhã desta sexta-feira (14), o programa Primeira Hora recebeu o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS), Édson Brum, para uma entrevista sobre o futuro da gestão pública nos municípios gaúchos. Durante o bate-papo, o convidado trouxe dados alarmantes sobre os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), apontando que dos 330 fundos municipais existentes no Estado, há um saldo de R$ 42 bilhões em caixa, mas um déficit atuarial que alcança a marca de R$ 37 bilhões para cobrir aposentadorias futuras. Brum explicou que apenas 15% das cidades com fundo próprio aprovaram suas reformas locais e alertou que a postura do órgão fiscalizador será mais rigorosa com os gestores em falta.

Reforma tributária: 2026 é o ano decisivo para a arrecadação dos municípios gaúchos pelos próximos 50 anos
Foto: Alice Campos

Ano-chave para a arrecadação

Outro tema de destaque na conversa foi o impacto profundo da reforma tributária sobre o orçamento das prefeituras, ao migrar a cobrança do imposto da origem para o local de consumo. Na análise do representante do TCE-RS, essa mudança na legislação redefinirá as finanças públicas, prejudicando polos industriais — como Canoas, Horizontina e Santa Cruz do Sul — e favorecendo cidades com perfil de alto consumo ou municípios “dormitório”. Brum alertou os prefeitos de que o ano de 2026 é o período decisivo para a sustentabilidade fiscal das próximas décadas, pois a arrecadação atual servirá como parâmetro de cálculo para o repasse do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) pelos próximos 50 anos. Diante disso, ele orientou os gestores locais a concentrarem esforços na cobrança de dívidas ativas e na otimização dos tributos municipais para garantir uma fatia orçamentária justa no novo modelo.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!

Crise demográfica gaúcha

Além das mudanças na arrecadação, o conselheiro chamou a atenção para o risco real de inviabilidade econômica que ameaça pequenos municípios que não possuem renda própria suficiente para manter suas estruturas administrativas. Essa vulnerabilidade fiscal é agravada pelo rápido envelhecimento populacional e pela queda acentuada na taxa de natalidade no Estado, onde a média caiu de 2,4 para 1,1 filho por família em duas décadas. Essa virada demográfica reduz drasticamente o contingente de trabalhadores ativos para sustentar o sistema de seguridade, pressionando ainda mais as contas municipais e aumentando o risco de que centenas de pequenas cidades brasileiras precisem ser reincorporadas a municípios-sede no futuro por falta de capacidade financeira.

Novos critérios de fiscalização do TCE

Édson Brum ressaltou que o Tribunal de Contas tem atuado com um perfil pedagógico, orientando prefeituras e câmaras de vereadores sobre como adequar suas gestões às exigências legais e prevenir falhas fiscais. O conselheiro reiterou, no entanto, que o caráter educativo do órgão caminha lado a lado com a responsabilidade de zelar pelo dinheiro público e pelo direito dos servidores municipais de receberem suas aposentadorias. Ao encerrar o debate no programa, o convidado defendeu que o enfrentamento corajoso das reformas é o único caminho viável para manter as prefeituras gaúchas adimplentes, operacionais e preparadas para oferecer serviços essenciais à população nos próximos anos.