A reunião do Partido Progressista (PP) realizada nesta semana, em Porto Alegre, provocou reação interna e abriu um racha na sigla no Rio Grande do Sul. Deputados estaduais, federais e lideranças municipais questionam a legitimidade do encontro, que indicou rumos para a eleição estadual de 2026.

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O deputado estadual Marcos Vinícius de Almeida (PP) afirmou que a decisão foi tomada “no afogadilho”, sem debate amplo e fora do fórum adequado. Segundo ele, o diretório estadual, com cerca de 120 membros, não tem prerrogativa estatutária para definir candidatura ao governo.
A escolha de nomes para a disputa majoritária, explicou o parlamentar, cabe à convenção estadual, que reúne um universo muito maior. O PP tem 164 prefeitos no Estado, além de vice-prefeitos, vereadores, presidentes municipais e delegados à convenção. O total de filiados aptos a votar supera 1.800 pessoas.
A reunião foi convocada pelo presidente estadual do partido, deputado federal Covatti Filho (PP-RS), e ocorreu em meio ao recesso parlamentar. A data também foi alvo de críticas, por dificultar a presença de deputados e lideranças que estavam em compromissos familiares ou em viagem.
Marcos Vinícius disse que muitos integrantes do partido souberam da convocação apenas pela imprensa, após publicação no Jornal do Comércio. Segundo ele, não houve comunicação prévia direta com a bancada estadual nem com prefeitos do interior.
Entre os temas debatidos estavam a possível saída do PP da base do governo Eduardo Leite (PSDB) e a definição de um nome para disputar o Palácio Piratini. Na pauta, constava a escolha entre Covatti Filho e o deputado federal Hernani Polo (PP-RS).
Para o deputado estadual, discutir alianças ou rompimento com o governo é legítimo, mas exige clareza. Ele criticou a decisão de sair da base sem definição de data, o que, segundo afirmou, cria insegurança tanto para o governo estadual quanto para eventuais aliados, como o PL.
“O partido decidiu sair do governo, mas sem dizer quando. Isso não faz sentido. Fragiliza o PP e cria constrangimento institucional”, afirmou.
Marcos Vinícius disse que o grupo contrário à condução da reunião seguirá mobilizado até a convenção oficial, prevista pela legislação eleitoral para os meses de junho ou julho. Ele afirmou que Hernani Polo mantém a pré-candidatura ao governo e continuará percorrendo o Estado.
Nesta semana, o deputado participa de encontros com prefeitos e vereadores na Região Central para ouvir as bases. Segundo ele, o objetivo é garantir que a decisão final seja tomada de forma democrática e representativa.
“O que está em jogo não é um nome A ou B. É o respeito à democracia interna de um partido forte, com presença em mais de 350 municípios”, afirmou.



