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Rio Grande do Sul estuda implementar “sistema antigranizo” para proteger lavouras

Tecnologia usada em Santa Catarina é analisada como alternativa para minimizar perdas

O governo do Rio Grande do Sul estuda implantar um “sistema antigranizo” na Serra, com foco na proteção da vitivinicultura, após uma missão técnica a Santa Catarina para conhecer a tecnologia já utilizada no Estado vizinho. A visita foi liderada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e ocorreu na quarta (21) e na quinta-feira (22), nos municípios catarinenses de Fraiburgo, Videira e Caçador.

Rio Grande do Sul estuda implementar “sistema antigranizo” para proteger lavouras. Foto: Cassiane Osório/Ascom Seapi.
Rio Grande do Sul estuda implementar “sistema antigranizo” para proteger lavouras. Foto: Cassiane Osório/Ascom Seapi.

A comitiva foi liderada pelo secretário-adjunto da Agricultura, Márcio Madalena, e contou com equipe técnica da Seapi. O grupo reuniu ainda representação de 22 municípios da Serra e do Vale do Caí, além de integrantes da Defesa Civil do Estado, de Sindicatos Rurais e de Seguradoras.

Segundo Madalena, a missão foi motivada por uma demanda do setor vitivinícola da Serra. “O granizo causa muito prejuízo ao setor produtivo e à sociedade como um todo. Em Santa Catarina pudemos realizar uma imersão e conhecer, com profundidade técnica, como funciona o sistema”, disse.

Como funciona o sistema “antigranizo” visitado pela comitiva

Em Fraiburgo, o grupo acompanhou o funcionamento do gerador de solo com queima de iodeto de prata. O objetivo é diminuir o tamanho das pedras de gelo a partir da emissão do produto para a atmosfera.

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A comitiva foi recebida por representantes de uma empresa da região, responsável pela operação dos geradores e pelo monitoramento climático em Santa Catarina. Atualmente, são 170 geradores de iodeto espalhados no Estado.

Outra agenda incluiu o acompanhamento do trabalho de uma empresa que atua na produção de maçã e utiliza o sistema antigranizo como forma de proteção das plantas.

Possíveis modelos de implantação no Rio Grande do Sul

De acordo com o secretário-adjunto, o governo pretende avançar na discussão de como implementar o projeto no estado, avaliando diferentes formatos. “Foi uma missão exitosa, estamos voltando com muita maturidade para discutir a implementação dessa tecnologia”, afirmou.

Entre as alternativas em estudo está a implantação do sistema por meio de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura.

Consevitis destaca impacto econômico para produtores e indústria

Presente no encontro, Luciano Rebellatto, presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis) – entidade que possui termo de colaboração para viabilizar ações de fomento por meio do fundo – ressaltou a relevância do projeto para o setor.

“Trata-se de um investimento estratégico para a vitivinicultura, pois contribui diretamente para a segurança econômica dos produtores, reduz as perdas provocadas por eventos climáticos extremos e fortalece a permanência dos viticultores na atividade. Além disso, o projeto beneficia a indústria, ao proporcionar maior previsibilidade quanto ao volume de produção, favorecendo o planejamento, a competitividade e a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva”, avaliou Rebellatto.

Roteiro incluiu Epagri e gestão do projeto em Caçador

Em Videira, a comitiva visitou a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri), onde conheceu as estações de pesquisa em vitivinicultura.

As agendas terminaram na Prefeitura de Caçador, com apresentação da parte administrativa, jurídica e econômica do projeto de antigranizo que funciona na cidade.

Com a conclusão da missão técnica, a Seapi deve aprofundar as discussões internas e com o setor produtivo para avaliar a viabilidade de implantar o sistema antigranizo no Rio Grande do Sul, especialmente na Serra, onde a vitivinicultura concentra parte relevante da produção e é apontada como uma das principais interessadas na medida.