Na manhã desta quinta-feira (05), o programa Primeira Hora o médico oftalmologista Otávio Dvogeski para esclarecer as principais dúvidas da população sobre a catarata, condição que representa a maior causa de cegueira reversível no mundo. Durante a entrevista, o especialista explicou que o problema surge a partir do envelhecimento natural do cristalino — a lente transparente do olho —, que vai se opacificando progressivamente com o passar dos anos. O médico destacou que os sintomas se manifestam de forma gradual, incluindo embaçamento visual, perda na percepção das cores e distorção de luzes à noite, afetando quase a totalidade da população idosa a partir dos 60 anos.

Mitos sobre tratamentos, momento ideal da cirurgia e correção de grau
Alertando os ouvintes sobre promessas milagrosas divulgadas na internet, o oftalmologista enfatizou que não existem colírios, exercícios ou vitaminas capazes de reverter ou prevenir a catarata, sendo a cirurgia o único tratamento resolutivo. Dvogeski desmistificou a antiga ideia de que é preciso esperar a catarata “amadurecer” para operar, ressaltando que adiar o procedimento torna a intervenção cirúrgica mais complexa e arriscada. O especialista explicou que o procedimento é feito em bloco cirúrgico por ultrassom, durando de 15 a 30 minutos, e permite substituir a lente opaca por uma prótese intraocular personalizada que corrige simultaneamente miopia, astigmatismo e presbiopia, eliminando a dependência de óculos. “Não existe colírio ou exercício milagroso; o que resolve a catarata é a cirurgia. Hoje não deixamos mais a doença avançar como antigamente, e o próprio procedimento já permite corrigir o grau de perto e de longe em definitivo”, explicou o médico no ar.
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Recuperação pós-operatória, restrições e diferença para moscas volantes
Tratando dos cuidados após a intervenção, o profissional tranquilizou os pacientes sobre a segurança do pós-operatório, que exige repouso moderado apenas nos primeiros dias. As restrições incluem evitar esforços físicos intensos ou baixar a cabeça por cerca de 10 dias, além de suspender banhos de imersão em praias ou piscinas por um mês, enquanto atividades habituais como leitura e uso de telas estão liberadas imediatamente. O especialista ressaltou a conduta de operar um olho por vez, com intervalo de uma semana, garantindo total acompanhamento clínico. O médico também aproveitou para diferenciar a catarata do fenômeno das “moscas volantes” — pequenos pontos ou fios pretos na visão —, esclarecendo que estes decorrem da alteração natural do colágeno no gel vítreo. “A cirurgia é feita uma única vez na vida em cada olho. O pós-operatório é tranquilo: no dia seguinte já se retira o tampão e o paciente pode assistir à televisão e mexer no celular sem problemas”, ressaltou durante a transmissão na Rádio Acústica FM.
Diagnóstico precoce e saúde ocular na Região Centro-Sul
O Dr. Otávio Dvogeski reforçou a relevância das consultas preventivas periódicas a partir da meia-idade para identificar alterações oculares antes que comprometam a qualidade de vida e a autonomia do paciente. O médico ressaltou que, embora seja predominante na terceira idade, a catarata também pode surgir em jovens por traumas, uso de corticoides ou doenças metabólicas, além de casos raros de catarata congênita em recém-nascidos. O especialista convocou a comunidade de Camaquã e da Costa Doce a manter os exames em dia com profissionais habilitados, garantindo a preservação da acuidade visual. “A catarata não deve ser encarada com medo, mas com diagnóstico correto. Consultar regularmente o oftalmologista é fundamental para manter a saúde dos olhos e enxergar a vida com clareza em todas as idades”, finalizou o Dr. Otávio Dvogeski.



