câncer de bexiga

Sangue na urina? Saiba quando esse sinal pode indicar um tumor na bexiga

Dr. Rafael Fraga alerta sobre sintomas confundidos com infecções comuns que podem esconder doenças graves; rapidez na investigação evita cirurgias agressivas

Na manhã desta quinta-feira (16), o programa Primeira Hora, recebeu o urologista Dr. Rafael Fraga para um alerta vital sobre saúde masculina e feminina. O tema central foi o câncer de bexiga, uma doença silenciosa que figura como o nono tipo de tumor mais comum no mundo. Com uma abordagem direta e esclarecedora, o especialista detalhou como pequenos sinais ignorados podem levar a tratamentos extremamente complexos.

Sangue na urina? Saiba quando esse sinal pode indicar um tumor na bexiga
Foto: Rádio AcústicaFM

O perigo do cigarro e o perfil dos pacientes

Durante a conversa, o Dr. Rafael Fraga destacou que, embora a doença possa atingir ambos os sexos, a incidência é significativamente maior entre os homens. O motivo, segundo ele, está diretamente ligado a um hábito nocivo. “Os homens são mais afetados porque ainda hoje em dia fumam mais do que as mulheres. A gente sabe que o cigarro aumenta em sete vezes a chance de se ter câncer. É o principal fator de risco para o câncer de bexiga”, afirmou o médico.

O especialista trouxe um caso real de seu consultório atendido nesta semana: um paciente que notou sangue na urina há quatro meses, mas negligenciou o sintoma após uma melhora temporária com antibióticos. Esse comportamento, alerta o doutor, é um dos maiores obstáculos para a cura, já que o sangramento causado pelo tumor pode ser intermitente, desaparecendo por meses antes de retornar.

A confusão entre infecção e tumor

Um dos pontos mais importantes da entrevista foi a diferenciação — ou a falta dela — entre os sintomas de uma cistite comum e os sinais de um câncer. O Dr. Fraga explicou que dor ao urinar, urgência para ir ao banheiro e a sensação de não conseguir esvaziar a bexiga são comuns a ambas as condições.

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“Sempre que se tenha um episódio de sangramento urinário tem que investigar”, alertou o urologista. Ele reforçou que a coloração avermelhada é o sinal de alerta máximo, mas ressaltou que nem sempre os exames de imagem tradicionais, como ecografia e tomografia, conseguem captar a lesão em estágio inicial. Nestes casos, o diagnóstico preciso depende da cistoscopia, um exame realizado com uma microcâmera inserida pelo canal urinário para visualizar o interior do órgão.

Do tratamento simples à reconstrução com o intestino

A gravidade do tratamento está diretamente ligada à profundidade com que o tumor atinge as paredes do órgão. Segundo o Dr. Rafael, o câncer de bexiga cresce de dentro para fora. Se o diagnóstico for precoce, uma “raspagem” via uretra pode ser suficiente. No entanto, se a doença invadir a musculatura, a intervenção precisa ser drástica. “No momento que ele invade a musculatura da bexiga, ele já se torna um câncer que tem que ser tratado de uma forma muito mais agressiva. Tem que retirar a bexiga”, explicou.

Nesses cenários avançados, a medicina recorre a uma técnica impressionante: a criação de uma nova bexiga utilizando partes do intestino delgado do próprio paciente. O médico detalhou que utiliza cerca de 40 centímetros de “tripinhas” para formar um novo reservatório. Como esse novo órgão não possui musculatura natural para contração, o paciente precisa aprender métodos manuais para urinar. “O paciente vai precisar fazer uma manobra que a gente chama de manobra de Creder, que nada mais é do que apertar em cima dessa nova bexiga para que a urina consiga descer”, descreveu o especialista.

A importância da investigação imediata

“Qualquer sintoma que você tenha para urinar, vai no posto de saúde, faz um exame de urina e pede um exame de imagem para se certificar de que realmente era só uma cistite”, finalizou o médico, enfatizando que a rapidez na busca por ajuda médica é o que separa um procedimento simples de uma grande cirurgia de reconstrução.