A secretária estadual da Mulher, enfermeira Fábia Richter, manifestou preocupação com o processo de discussão sobre a futura concessão das rodovias federais BR-116 e BR-392 no Rio Grande do Sul. Em entrevista concedida na tarde desta quinta-feira (12), para à Rádio Acústica FM, ela comentou a audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para tratar do projeto de concessão dos pedágios nos trechos das rodovias.

Durante a entrevista, Fábia afirmou que o tema do pedágio é recorrente em sua atuação política e voltou a destacar os impactos econômicos que a cobrança nas rodovias trouxe para a região ao longo das últimas décadas. Segundo ela, o sistema de pedágios existente há cerca de 30 anos contribuiu para dificultar o desenvolvimento regional, especialmente no sul do Estado.
A secretária também criticou a forma como as audiências públicas vêm sendo conduzidas. Conforme relatou, a população encontra dificuldades para acompanhar e participar das discussões devido ao curto prazo de divulgação e inscrição para manifestações:
“Se a pessoa não está muito envolvida no assunto, dificilmente fica sabendo. A maioria das pessoas está trabalhando e não consegue acompanhar. Por isso, não considero esse processo extremamente democrático”, afirmou.
De acordo com Fábia Richter, representantes da sociedade precisam ter mais tempo e acesso a informações claras para compreender o modelo proposto e contribuir com sugestões. Ela ressaltou que o tema envolve aspectos técnicos complexos, como o sistema de cobrança por fluxo livre, conhecido como Free Flow, no qual o usuário paga proporcionalmente à distância percorrida.
A secretária informou ainda que pretende acompanhar presencialmente os debates programados para a próxima segunda-feira (16), quando novas discussões sobre o projeto devem ocorrer. Ela destacou preocupação com a possibilidade de instalação de um dos primeiros pontos de cobrança no trecho entre Camaquã e Porto Alegre.
A audiência pública promovida pela ANTT integra a etapa de consulta à sociedade sobre a futura concessão do lote rodoviário que reúne 459,6 quilômetros das BR-116 e BR-392 no Rio Grande do Sul. O objetivo do processo é receber contribuições sobre os estudos técnicos, o edital e o contrato da concessão.
O projeto analisa a viabilidade técnica, econômica e ambiental do empreendimento e apresenta o chamado Programa de Exploração da Rodovia, documento que estabelece as obras previstas, os serviços que deverão ser prestados e os padrões de atendimento aos usuários das rodovias.
Confira a fala de Fábia sobre o modelo de rodovias no RS



