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Serviço público inicia paralisação de quatro dias

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Após movimentação dos servidores estaduais no final de semana por causa dos extratos bancários que indicam pagamento de R$ 600 referentes ao vencimento de agosto, a segunda-feira deve começar com greve nos serviços públicos. As categorias prometem paralisações até quinta-feira. Escolas devem fechar e delegacias trabalham com restrições a partir de hoje. O governo fará uma coletiva nesta segunda para esclarecer a forma de quitação do restante do salário.

O Cpers/Sindicato já havia anunciado que, independentemente da forma de pagamento, entraria em greve. A presidente da entidade, Helenir Aguiar Schürer, alertou que, além da previsão de repasse reduzido de salário, o extrato dos servidores têm a indicação de descontos de créditos concedidos pelo Banrisul. “Nada disso estaria acontecendo se o governo aceitasse a oferta da oposição na Assembleia Legislativa e do Judiciário (através do aumento dos saques dos depósitos judiciais)”, disse.

O presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos no RS, Sérgio Arnoud, defende a mesma posição. “É possível pagar em dia. Basta usar emergencialmente os depósitos judiciais, mas o governador quer acabar com o serviço público. É provocação”. Segundo Arnoud, trata-se de uma afronta. “Com esse valor, uma família de quatro pessoas não consegue fazer nem as compras do supermercado”.

O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar (Abamf), Leonel Lucas, confirmou no seu extrato o pagamento de R$ 600 hoje. “Mas o governo não depositou o valor referente às pensões alimentícias”, diz. Os policiais militares irão realizar o aquartelamento a partir desta terça e integrar as ações de outras 40 categorias.

Para o vice-presidente da Ugeirm Sindicato, que representa os escrivães, inspetores e investigadores da Polícia Civil, Fábio Castro, além da questão salarial, a mobilização da categoria é pela rejeição de projetos encaminhados à Assembleia, incluindo o aumento de impostos. A orientação, a partir de hoje, é reunião dos policiais em frente às DPPAs e atendimento somente de crimes contra a vida.

Nota da Urgeirm

De acordo com uma nota publicada pelo Urgeirm Sindicato, todas as ocorrências passíveis de registro pela delegacia on-line não serão mais registradas nas Delegacias de Polícia, tais como a perda de documento, acidente de trânsito sem vítima, furto simples, crimes contra honra, maus tratos contra animais e perturbação da tranquilidade, até a integralização do subsídio. Serão registradas apenas as ocorrências policiais graves, a critério do Delegado de Polícia, como, homicídios, roubos, estupros, crimes envolvendo crianças e adolescentes, violência doméstica e familiar; quanto aos autos de prisão em flagrante, deverão ser lavrados normalmente.

Ainda conforme a nota do sindicato da Polícia Civil, não serão realizadas ações e operações policiais até a data da integralização do subsídio referente ao mês de agosto. Não serão remetidos inquéritos policiais, termos circunstanciados e procedimentos para adolescentes infratores, exceto autos de prisão em flagrante, autos de apreensão em flagrante e inquéritos policiais envolvendo investigados presos, até a integralização do subsídio. Não haverá circulação de viaturas e as operações e investigações serão suspensas.

Confira os serviços que serão afetados

Escolas: O Cpers orienta os professores a não abrirem as escolas estaduais de hoje até quinta-feira.

Bancários: O Sindicato dos Bancários ingressa hoje com medida cautelar na Justiça para fechar as agências bancárias, dependendo das decisões tomadas pelos sindicatos representantes dos funcionários da Brigada Militar. Se a medida for acatada pela Justiça, os bancos não devem abrir na terça-feira ou enquanto durar o aquartelamento.

Transporte: Os ônibus funcionam normalmente em Porto Alegre. No entanto, o Sindicato dos Rodoviários disse que vai monitorar e, no caso de atos de violência contra o transporte coletivo, poderá tomar alguma medida.

Brigada Militar: A partir de amanhã tem aquartelamento dos policiais militares, uma decisão apoiada pelas associações dos soldados, sargentos, subtenentes e tenentes, oficiais e bombeiros. Dependendo do posicionamento do governo, o aquartelamento pode se estender até quinta-feira. Já a Associação dos Policiais Militares (APM) diz que não compactua com atos isolados e solicita mais diálogo com o governo para achar alternativa.

Polícia Civil: A partir de hoje, serão registradas apenas ocorrências graves, a critério de cada delegado. As outras devem ser registradas pela delegacia on-line. Segundo a Associação dos Delegados de Polícia (Asdep), não serão realizadas operações policiais até a data da integralização do subsídio referente a agosto.

Comércio: A orientação do Sindilojas para os empresários é que abram suas lojas normalmente, tendo em vista os prejuízos das últimas semanas. “Dos dias 18 a 21 de agosto, nossas vendas caíram 25%”, afirma o presidente Paulo Kruse.