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SIMUCA negocia dívidas do TecBiz com estabelecimentos conveniados

Cartão é utilizado por cerca de mil servidores municipais de Camaquã para compras em mais de 100 estabelecimentos conveniados; entenda o motivo dos atrasos

O Sindicato dos Municipários de Camaquã (SIMUCA) iniciou um processo de negociação com comércios credenciados ao TecBiz para quitar dívidas acumuladas. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (30) pela presidente da entidade, Carla Simone, durante entrevista à Rádio Acústica FM.

Carla Simone, presidente do SIMUCA, esclarece informações sobre o cartão TecBiz. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica.
Carla Simone, presidente do SIMUCA, esclarece informações sobre o cartão TecBiz. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica.

Segundo a dirigente, ao menos 15 estabelecimentos já aceitaram renegociar os valores em atraso. Apenas uma empresa optou por judicializar a cobrança contra o sindicato. Ainda assim, a presidente garantiu que os servidores poderão continuar utilizando o cartão TecBiz normalmente, principalmente em farmácias e supermercados, que concentram grande parte das transações.

Como funciona o TecBiz?

O TecBiz é um sistema de cartão convênio usado por sindicatos, empresas e associações. Em Camaquã, cerca de 70% dos 1.300 associados do SIMUCA utilizam esse benefício.

O mecanismo é simples:

  • O servidor solicita ao sindicato um limite mensal;
  • As compras são feitas em estabelecimentos credenciados;
  • O valor é descontado pela Prefeitura Municipal diretamente da folha de pagamento e repassado ao sindicato;
  • O SIMUCA repassa o valor para os comércios em até 60 dias.

A vantagem está na ausência de juros e no controle por meio do salário do usuário. No entanto, o sistema tem enfrentado instabilidades causadas por inadimplência dos próprios servidores, conforme destacou a presidente da entidade.

O que causou o acúmulo de dívidas?

Apesar do repasse em dia por parte da Prefeitura, há pelo menos 100 servidores com débitos pendentes junto ao sindicato. Isso ocorre quando o salário líquido é insuficiente para cobrir todas as deduções, especialmente em casos de exonerações, cortes salariais ou empréstimos consignados.

A presidente Carla Simone destacou que, como o sindicato não tem acesso ao detalhamento da folha, apenas ao contracheque apresentado pelo próprio servidor, o risco de comprometimento excessivo é alto. Assim, o valor solicitado no TecBiz nem sempre pode ser integralmente descontado, o que gera atrasos e, em alguns casos, o chamado “efeito bola de neve” na dívida dos servidores com o sindicato e do sindicato com os estabelecimentos conveniados.

Solução em construção: cruzamento de dados

Para enfrentar esse desafio, o SIMUCA está propondo à Prefeitura a criação de um sistema compartilhado de informações sobre os servidores. O objetivo é garantir que o crédito disponibilizado pelo TecBiz ocorra de forma mais precisa e segura, em conformidade com os salários.

Três reuniões já foram realizadas, e a presidente do sindicato afirma estar otimista com os avanços nas negociações.

Duplicidade de cartões agrava a situação

Outro fator que agrava a inadimplência é o uso simultâneo do cartão TecBiz por meio de diferentes entidades. Isso ocorre porque a ASSOMUCA, associação paralela ao sindicato, também oferece o benefício.

Como resultado, um mesmo servidor pode ter dois cartões ativos e comprometer ainda mais sua renda mensal. O sindicato aponta a necessidade de regulamentar esse tipo de situação para preservar a estabilidade do sistema.

Assista a participação completa da presidente do SIMUCA na Rádio Acústica:

Câmara de Vereadores cobra mais transparência

Enquanto o SIMUCA negocia com os comércios, vereadores de Camaquã cobram explicações públicas. Nos últimos dias, parlamentares como Vinícios Araújo (MDB) e Vitor Azambuja (PP) usaram a tribuna para relatar o aumento no número de reclamações por parte dos empresários.

A crítica gira em torno do fato de que, mesmo com o desconto em folha acontecendo, o pagamento aos comércios nem sempre está sendo feito em tempo hábil.

“Nunca ataquei e desrespeitei o sindicato, estou fazendo minha atividade parlamentar”, afirmou Vinícios, ao reforçar que não há impedimento legal para discutir o tema. Já Azambuja defendeu a possibilidade de abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o uso dos recursos públicos vinculados ao cartão TecBiz.

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