Sistema penal

Presidente de sindicato revela novas irregularidades no Presídio de Camaquã

Cláudio Dessbesell revelou detalhes em entrevista na Rádio Acústica FM

O presidente do Sindicato da Polícia Penal do RS, Cláudio Dessbesell, concedeu uma entrevista exclusiva ao programa Esquina Democrática deste sábado (10), pela Rádio Acústica FM, onde afirmou que a segurança pública do Rio Grande do Sul enfrenta um cenário alarmante de vulnerabilidade e sucateamento. Ele expôs uma denúncia detalhada de falhas críticas na estrutura do Presídio Estadual de Camaquã e aponta para uma crise generalizada que se alastra por todo o sistema penitenciário gaúcho. A combinação entre superpopulação carcerária, escassez de efetivo e falta de investimentos transformou as unidades prisionais em ambientes de alto risco para servidores e para a comunidade.

Presidente de sindicato revela novas irregularidades no Presídio de Camaquã

Superlotação e Déficit de Servidores na Ponta da Lança

Segundo Dessbesell, o panorama no estado é tido como insustentável. Atualmente, o sistema penal gaúcho abriga cerca de 57 mil apenados para um contingente operacional de apenas 6 mil policiais penais. Essa desproporção resulta em uma média de 9,1 presos para cada agente, índice que segundo o sindicato da categoria, viola os parâmetros internacionais de segurança, que estabelecem o limite máximo de 5 detentos por servidor.

A entidade denunciou que o déficit se intensificou após a retirada total da Brigada Militar das guaritas e muralhas das cadeias estaduais. Apesar da abertura de seis novas penitenciárias de grande porte nos últimos anos, a contratação de pessoal não acompanhou a expansão da massa carcerária, deixando postos estratégicos desassistidos e sobrecarregando os profissionais em serviço.

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Falhas Estruturais e Vulnerabilidade Exposta no presídio de Camaquã

Segundo o Sindicato da Polícia Penal do RS, no Presídio Estadual de Camaquã, os problemas operacionais e de infraestrutura são evidentes:

  • Muros Ineficientes: Localizado em área urbana central, o presídio possui divisórias laterais e fundos com cerca de 1,20 metro de altura, protegidas apenas por cercas frágeis. A ausência de contenções adequadas permite que externos escalem facilmente a estrutura e arremessem ilícitos diretamente para as janelas das celas.

  • Entrada Livre de Ilícitos: A facilidade de acesso terrestre somada ao uso constante de drones por criminosos viabiliza a entrada frequente de drogas e celulares.

  • Tecnologia Sem Uso Prático: O sistema de videomonitoramento local conta com 8 câmeras cujas imagens não são disponibilizadas para o acompanhamento em tempo real pelos agentes em plantão, anulando a finalidade preventiva do equipamento.

  • Exposição Continuada a Radiação: Enquanto a segurança perimetral falha, os servidores são submetidos repetidamente ao scanner corporal a cada movimentação externa, gerando apreensão quanto aos impactos da radiação contínua na saúde de uma categoria que já registra média de expectativa de vida de 52 anos.

Unidades Prisionais e o Fortalecimento de Facções e Golpes Digitais

Ainda conforme o sindicato, a escassez de policiais penais impede a realização periódica de revistas profundas e a movimentação segura nas galerias. Esse cenário de descontrole interno favorece a atuação de facções criminosas dentro dos estabelecimentos penais.

Sem a aplicação efetiva da individualização das penas, detentos provisórios ou condenados por pequenos delitos (como furtos) são alojados nas mesmas galerias dominadas por grandes organizações. Para sobreviver ao confinamento, esses apenados adquirem dívidas com as lideranças internas e deixam a prisão recrutados como novos executores do crime nas ruas — alimentando índices de reincidência que já alcançam patamares entre 50% e 60% no estado.

Além disso, a permanência de celulares no interior das celas impulsiona a prática em massa de extorsões e estelionatos virtuais. Os golpes digitais tornaram-se uma das principais fontes de financiamento do crime organizado, impactando diretamente a população e gerando um ciclo de insegurança que extrapola os muros dos presídios.

Cobranças por Restruturação e Diálogo na Transição

O presidente do sindicato da categoria, disse que diante do desgaste acumulado por 12 anos sem reposição salarial e da rotina em áreas de alto risco, a categoria dos policiais penais cobra uma reformulação profunda na metodologia de gestão do sistema penitenciário. As demandas prioritárias incluem o trabalho prisional obrigatório, a separação rigorosa de presos primários e o aporte imediato de efetivo e infraestrutura capaz de garantir a integridade dos servidores e a segurança da sociedade.

Acompanhe na íntegra como foi a entrevista sobre o presídio de Camaquã:

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