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Sob a influência do El Niño, Costa Doce deve enfrentar meses com excesso de umidade

Estael Sias, meteorologista da MetSul analisa os efeitosdo El Niño para as lavouras de arroz e soja e orienta a população a combater o "terrorismo antecipado" nas redes sociais

O programa Primeira Hora desta quarta-feira (17) recebeu como convidada a meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, para analisar o impacto e os desdobramentos do fenômeno El Niño no Rio Grande do Sul. A especialista confirmou que o evento climático já está ativo e influenciando o tempo com o aquecimento sustentado das águas do Oceano Pacífico, apresentando uma assinatura diferente e atípica neste ano, marcada por pulsos de ar frio persistentes entre maio e junho no Sul. Estael destacou que a partir deste mês os modelos meteorológicos superaram a chamada “barreira de previsibilidade” e tornaram-se mais confiáveis, permitindo projetar um aumento na frequência e no volume das chuvas no estado a partir de julho.

Sob a influência do El Niño, Costa Doce deve enfrentar meses com excesso de umidade
Foto: Valério Weege

O período crítico do El Niño

O maior risco de eventos extremos, como enchentes, cheias de rios e deslizamentos na região da Costa Doce, está previsto para o período entre agosto e novembro, momento em que o fenômeno deve atingir sua força máxima. Apesar do potencial para ser um dos eventos mais fortes já registrados, a meteorologista fez questão de tranquilizar a população sobre a relação direta entre a força do El Niño e a magnitude dos estragos. Estael explicou detalhadamente essa dinâmica ao ponderar que “intensidade nem sempre é sentença de desastre”, lembrando que o evento ocorrido entre os anos de 2015 e 2016 foi numericamente mais intenso do que o registrado em 2024, mas acabou gerando resultados práticos e impactos completamente diferentes nas cidades gaúchas.

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Desafios no campo

A especialista expressou forte preocupação com a lentidão das obras públicas e com a burocracia que emperra medidas preventivas eficazes em áreas que ainda estão traumatizadas pelas inundações anteriores. Em sua análise, o planejamento preventivo só começou de fato em 2025, deixando a infraestrutura atual frágil e muitas famílias vulneráveis em áreas de risco, enquanto novos radares e sensores essenciais nos rios Camaquã e São Lourenço ainda buscam operação plena. Esse cenário de excesso de umidade e chuvas volumosas no fim do ano deve estender os desafios para o setor agrícola, criando um ambiente altamente complexo para o manejo das lavouras de soja e arroz, o que exigirá resiliência redobrada dos produtores locais que já enfrentam pressões econômicas.

Combate às notícias falsas

Diante da proximidade das chuvas severas de agosto, a entrevista ressaltou o papel crucial da Defesa Civil de cada município, uma vez que o gerenciamento de risco é mais eficiente quando feito por quem conhece os bairros e arroios que alagam primeiro. Estael mencionou a importância do repasse estadual de R$ 20 milhões para a preparação local, reforçando a necessidade de monitorar previsões com 10 a 15 dias de antecedência para viabilizar a retirada preventiva de ribeirinhos. Por fim, a meteorologista fez um apelo para que a comunidade busque apenas o jornalismo profissional e canais oficiais, alertando contra páginas que fazem “terrorismo antecipado” nas redes sociais apenas em busca de engajamento e cliques.