CLIMA

Super El Niño ganha força e acende alerta para eventos extremos no Sul do Brasil

Modelos indicam forte aquecimento do Pacífico e apontam impactos significativos no Rio Grande do Sul e demais estados do Sul

Os meteorologistas acompanham com atenção a rápida intensificação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. De acordo com análise da MetSul Meteorologia, o atual episódio deve atingir a categoria de Super El Niño entre os meses de julho e setembro, elevando significativamente o risco de eventos climáticos extremos no Sul do Brasil.

Super El Niño ganha força e acende alerta para eventos extremos no Sul do Brasil
Foto: Reprodução/NASA

Os dados mais recentes indicam que o aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial já alcança níveis semelhantes aos registrados durante os históricos eventos de 1997-1998 e 2015-2016, considerados alguns dos mais intensos das últimas décadas.

Uma das áreas monitoradas pelos cientistas, a região Niño 1+2, próxima às costas do Peru e do Equador, apresenta aquecimento de aproximadamente 2,7°C acima da média. O índice é praticamente igual ao observado em 1997 e superior ao registrado em 2015 no mesmo período, evidenciando um cenário de forte aquecimento das águas junto à América do Sul.

Segundo a MetSul, os principais modelos climáticos internacionais apontam para um fortalecimento contínuo do fenômeno nos próximos meses. O consenso entre as projeções indica alta probabilidade de que o El Niño alcance intensidade muito forte ainda durante o inverno, com pico previsto entre outubro e dezembro de 2026.

O fortalecimento do fenômeno é favorecido por uma série de fatores observados atualmente no Pacífico Equatorial, como rajadas intensas de vento de Oeste, deslocamento de águas mais quentes para o Leste e grande acúmulo de calor abaixo da superfície do oceano. Além disso, a formação de novas ondas oceânicas de Kelvin pode acelerar ainda mais o aquecimento.

Sul do Brasil deve concentrar os maiores impactos do El Niño

Historicamente, o El Niño altera o regime de chuvas em diferentes regiões do país. Enquanto áreas do Norte costumam registrar redução das precipitações, o Sul do Brasil tende a enfrentar aumento significativo dos volumes de chuva.

Para os meteorologistas, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná deverão ser os mais impactados pelo atual episódio. A expectativa é de maior frequência de temporais, vendavais, granizo, cheias de rios e enchentes ao longo do segundo semestre deste ano.

O período de maior atenção deve ocorrer entre o final do inverno e a primavera, embora eventos extremos também possam ocorrer durante o verão e o outono de 2027.

A MetSul ressalta que a possibilidade de um Super El Niño não significa necessariamente a repetição da enchente histórica registrada no Rio Grande do Sul em maio de 2024. Especialistas explicam que desastres de grande magnitude dependem da combinação de diversos fatores atmosféricos e não apenas da intensidade do fenômeno no Oceano Pacífico.

Ainda assim, os indicadores atuais reforçam a necessidade de monitoramento constante das condições climáticas nos próximos meses, especialmente na Região Sul, onde os impactos do El Niño costumam ser mais intensos.

Fonte:  MetSul Meteorologia