pecuária

Sustentabilidade e lucro: o ecossistema necessário para manter o produtor no campo

No Esquina Democrática deste sábado (23), Marcos Tang e Carlos Schmegel defendem a diversificação de culturas e a rentabilidade como pilares para a dignidade social no campo

O programa Esquina Democrática deste sábado (23) recebeu lideranças de destaque do agronegócio gaúcho para debater os rumos das proteínas no Rio Grande do Sul diretamente da Fenasul Expoleite 2026. O presidente da Gadolando, Marcos Tang, abriu o painel analisando o atual cenário da cadeia leiteira, que ensaia uma reação econômica após um longo período de crise.

Sustentabilidade e lucro: o ecossistema necessário para manter o produtor no campo
Foto: Reprodução

O impacto das importações

A sustentabilidade do setor também passa pelo enfrentamento de concorrências desleais no mercado e pela estrita adequação às exigências de qualidade e sanidade vigentes. O presidente da Gadolando criticou severamente as políticas comerciais do Mercosul, apontando que o produto importado entrava na região com preços predatórios e abaixo do custo de produção local, gerando uma defasagem severa onde o produtor recebia valores insuficientes para cobrir seus gastos básicos. Além disso, as exigências sanitárias modernas demandam altos investimentos em infraestrutura na propriedade, como tanques de expansão de custo elevado.

A virada de chave para a ovinocultura

Paralelamente, o debate expandiu-se para as potencialidades da ovinocultura com a participação de Carlos Jr. Schmegel, que identificou na criação de ovinos uma excelente alternativa de diversificação para pequenas e grandes propriedades rurais. O especialista explicou que o setor passa por uma profunda transformação estruturalista, direcionando o foco produtivo para o abastecimento gastronômico, uma vez que “a válvula de escape hoje do mercado do ovino está todo em cima da carne”, visto que a lã só entrega rentabilidade em larga escala. Atualmente, o maior entrave para o crescimento da atividade reside na escassez da oferta interna, gerando um cenário em que a produção não consegue suprir sequer a demanda regular, o que impede estratégias agressivas de estímulo ao consumo e demanda um forte investimento em melhoramento genético dos rebanhos.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!

Permanência do homem no campo

Ao encerrarem as análises, ambos os convidados convergiram na tese de que o futuro tanto do leite quanto da carne ovina depende da construção de um ecossistema produtivo equilibrado e atrativo para as novas gerações. A diversificação de culturas foi defendida como um escudo contra as oscilações de monoculturas tradicionais, abrindo espaço inclusive para novos nichos, a exemplo dos derivados de leite ovino. Os painelistas reforçaram que o sucesso social do campo está diretamente atrelado à viabilidade financeira dos negócios, concluindo que o amor pela terra precisa vir acompanhado de resultados práticos, pois “não basta gostar você tem que ter lucro” para assegurar uma vida digna e garantir a permanência do homem no campo.