A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros pode comprometer parte significativa da atividade econômica do Rio Grande do Sul. A medida entra em vigor nesta sexta-feira (1º) e, segundo estudo do Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP), tem potencial para reduzir exportações, prejudicar a geração de renda e afetar o consumo local.

Em 2024, o Rio Grande do Sul exportou R$ 10,13 bilhões para os EUA, o equivalente a 9,11% do total vendido ao exterior. Embora cidades como Santa Cruz do Sul, Montenegro e Bento Gonçalves liderem a lista das mais impactadas, Camaquã aparece como a 15ª do estado em vulnerabilidade. No município, as exportações com destino ao mercado norte-americano representam 0,57% do Produto Interno Bruto (PIB) local, representando 30,42 em volume de exportações para os EUA.
A análise do IFEP ressalta que regiões com forte dependência de setores exportadores específicos devem sofrer os maiores impactos. Em Santa Cruz do Sul, por exemplo, as exportações de tabaco para os EUA correspondem a mais de 7% do PIB local. “O consumo e as vendas do comércio de bens e serviços da localidade podem ser impactados”, afirmou Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP.
Segundo o levantamento, 21 municípios do estado têm exportações para os EUA acima de 5% do PIB. Cidades como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Lajeado e Guaporé integram esse grupo, com forte presença de indústrias de couro e calçados, metalurgia e máquinas.
Embora Porto Alegre concentre grande volume exportador, o impacto é menor, pois essas exportações têm pouco peso no PIB da Capital.
Tarifa de reciprocidade também pode impactar
O estudo também alerta para possíveis efeitos indiretos. Mesmo com baixa participação dos EUA nas importações do estado, apenas 0,83% do total, a possível adoção de tarifas de reciprocidade pelo Brasil pode encarecer insumos industriais, como nafta e equipamentos, afetando a competitividade da indústria local.
O que é o tarifaço de Trump
O “tarifaço” de 50% imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros é uma tarifa aduaneira proposta em 9 de julho de 2025, que prevê aumentar para 50% os impostos sobre todas as importações provenientes do Brasil, com início previsto para 1º de agosto de 2025.




