O uso de medicamentos à base de canabidiol (CBD) começa a ganhar espaço no Brasil após anos de resistência política e regulatória. A mudança ocorre em meio ao avanço de pesquisas científicas e à regulamentação gradual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que ampliou o acesso a esses produtos para fins medicinais.

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Derivado da cannabis, o canabidiol é uma substância sem efeito psicoativo. De acordo com o Dr. Vitor Ferrão, o efeito difere do tetrahidrocanabinol (THC), composto associado ao uso recreativo da maconha. Países como Uruguai, Estados Unidos, Israel e nações da Europa já mantêm pesquisas consolidadas e produção regulada de medicamentos canabinoides.
No Brasil, a prescrição médica ocorre há alguns anos, mesmo antes das normas mais recentes. Segundo o médico, que atua na área há mais de quatro anos, os tratamentos são indicados, sobretudo, para pacientes com doenças crônicas e quadros de difícil controle.
Entre os principais casos atendidos estão dores crônicas, fibromialgia, epilepsia, transtornos do espectro autista, Alzheimer, esclerose múltipla, ansiedade e insônia.
“Grande parte dos pacientes já tentou outros tratamentos sem sucesso”, afirma.
Ferrão explica que o canabidiol é classificado como fitoterápico, por ser extraído diretamente da planta. O óleo pode conter diferentes canabinoides, cada um com funções específicas. Alguns atuam no sono, outros têm efeito anti-inflamatório ou neuroprotetor.
Os efeitos adversos relatados são, em geral, leves. Os mais comuns são sonolência, boca seca e tontura, especialmente no início do tratamento. Há cautela em pacientes com histórico de doenças psiquiátricas graves e em pessoas que usam anticoagulantes ou têm problemas hepáticos.
A regulamentação da Anvisa foi impulsionada por ações judiciais movidas por famílias e associações de pacientes, principalmente no Nordeste. Essas entidades passaram a cultivar a planta e produzir óleo para uso próprio, após decisões favoráveis da Justiça.
Atualmente, mais de 40 produtos à base de canabinoides estão autorizados no País. Eles são vendidos em farmácias, mediante prescrição médica. O principal obstáculo segue sendo o preço, já que a maioria dos produtos é importada.
A nova regulamentação também abriu caminho para o cultivo de cânhamo industrial, variedade da cannabis com baixo teor de THC. A expectativa do setor é que a produção nacional reduza custos e estimule pesquisas científicas.
“O Brasil chegou atrasado, mas começa a avançar”, diz Ferrão.
Segundo ele, a ampliação da pesquisa e da produção pode tornar o tratamento mais acessível e consolidar o uso medicinal do canabidiol no País.
Assista a entrevista na íntegra com o Dr. Vitor Ferrão



