Agro

Uva impulsiona renda e muda perfil da agricultura em Camaquã

Com apoio técnico e adoção de novas práticas, produtores ampliam produtividade e transformam cultivo tradicional em atividade comercial sustentável

A produção de uva cresce e se profissionaliza em Camaquã com apoio técnico e foco na gestão. A mudança ocorre nos últimos dois anos, após ações coordenadas da prefeitura, entidades de assistência rural e produtores locais. O resultado mais recente foi um aumento expressivo na produtividade, com casos de até 156%.

Uva impulsiona renda e muda perfil da agricultura em Camaquã
Engenheiro agrônomo Tauê Ran, que atua no município desde o fim de 2024, acompanhou o processo. Foto: Alice Campos | Acústica FM

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O avanço foi observado na safra 2025/2026. Produtores que antes cultivavam uva de forma informal passaram a adotar técnicas de manejo, análise de solo e planejamento da produção. O engenheiro agrônomo Tauê Ran, que atua no município desde o fim de 2024, acompanhou o processo.

Segundo ele, o principal problema inicial era o desequilíbrio nutricional do solo. Muitos agricultores utilizavam apenas adubos básicos, sem considerar micronutrientes essenciais. A introdução de análises técnicas e correções, como o uso de calcário e ajuste de nutrientes, elevou o vigor das plantas.

Outro ponto foi a escolha das mudas. Parte dos parreirais apresentava mistura de variedades ou plantas de baixa qualidade. A orientação passou a incluir a compra de mudas certificadas, com origem controlada. O objetivo é garantir produtividade por até 30 anos, média considerada ideal para a cultura.

A poda também foi ajustada. Técnicos recomendaram cortes mais intensos, adequados ao ciclo da videira, que produz nos ramos do ano. Em alguns casos, produtores adotaram o calendário biodinâmico, que leva em conta as fases da lua. Testes práticos indicaram aumento na brotação e na produção.

O clima favoreceu a última safra. O inverno mais rigoroso garantiu acúmulo de horas de frio, condição importante para a videira. Ao mesmo tempo, as chuvas ocorreram de forma equilibrada, sem estiagens ou excesso de umidade.

Apesar do cenário positivo, há riscos. Anos com maior volume de chuva podem favorecer doenças como o míldio, um fungo que compromete a produção. Para reduzir perdas, os produtores passaram a usar manejo integrado, com defensivos químicos e biológicos.

O trabalho também inclui incentivo à produção sustentável. Técnicos orientam o uso racional de insumos e a adoção de alternativas menos agressivas ao meio ambiente. A produção orgânica ainda enfrenta limitações, mas cresce o uso de produtos biológicos.

O aumento da produtividade já reflete no mercado local. Parte da produção é absorvida pelo próprio município. Há também expansão para sucos, vinhos artesanais e vinhos finos. Produtores começam a buscar escala maior e investimentos em mecanização.

A tendência é de crescimento da atividade. A região da Metade Sul tem demanda por frutas e espaço para ampliar a produção. Para especialistas, o desafio agora é consolidar a profissionalização e ampliar o acesso a tecnologia e mercado.

Confira a entrevista com o engenheiro agrônomo Tauê Ran

Tags: Agro, Camaquã, Uva