Microrganismos amplamente utilizados na criação de frangos agora mostram potencial para outro papel importante: impulsionar o cultivo de hortaliças. Um estudo da Embrapa Meio Ambiente, em parceria com o Instituto Biológico de São Paulo e a Unesp, revelou que probióticos aplicados no solo aumentam o desenvolvimento da alface — tanto nas folhas quanto nas raízes.
Os testes usaram produtos comerciais com bactérias dos gêneros Bacillus e Lactobacillus, as mesmas que ajudam a equilibrar o intestino dos frangos. No solo, esses microrganismos agem de forma natural, produzindo substâncias bioestimulantes e competindo com microrganismos nocivos, o que fortalece o crescimento da planta.
As aplicações aconteceram de duas formas: direto no substrato no momento da semeadura e por drench, uma irrigação direcionada às raízes. Ambas deram resultado, mas a aplicação via drench teve melhor aproveitamento, principalmente para cultivos comerciais.
Mais folhas, mais raízes
A pesquisa avaliou duas formulações da empresa Biocamp — Colostrum BIO 21 Pó e Colostrum BS Pó. Em ambos os casos, as alfaces cresceram mais vigorosas, com folhas maiores e raízes mais desenvolvidas.
O solo também se beneficia. Segundo os pesquisadores, essas bactérias trabalham em sintonia com os processos biológicos do ambiente.
Apesar do sucesso nos testes com alface, os pesquisadores alertam que ainda são necessários novos estudos. O desempenho pode variar conforme o tipo de solo, o clima e a microbiota de cada região. A Biocamp já estuda adaptações nas fórmulas junto a parceiros do setor agrícola para ampliar os bons resultados.
O Brasil produz mais de 1,5 milhão de toneladas de alface por ano. Os estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná lideram esse mercado. Com o uso de bioinsumos já disponíveis, como os testados neste estudo, o país pode dar mais um passo na direção de uma agricultura mais limpa e eficiente, aproveitando o conhecimento que já tem no uso de microrganismos em sistemas tropicais.




